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Não deve haver conflito de gerações nas empresas, defende CEO da Volvo Cars

30/09/2014 21h20 - última modificação 19/04/2016 18h44

Nem só geração Y e nem só geração dos anos 60 e 70, muito menos conflito de gerações. Se depender do CEO da Volvo Cars, Luis Rezende, ele próprio símbolo de jovens que começam a chegar ao topo dos cargos de lideranças, é perfeitamente possível juventude e maturidade coexistirem nos ambientes corporativos. “Precisamos da experiência dos mais velhos e das inovações e inquietações trazidas pelos mais moços”, resumiu Rezende, 34 anos, que confessa recorrer com orgulho ao sr. Aderval, seu contador de 69 anos, nas elaborações dos balanços contábeis.

 O diretor geral da Volvo Cars falou sobre “Liderança e Carreira” na noite de 29 de setembro aos alunos do curso de pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas e Psicologia Organizacional da Universidade Metodista. Descontraído e sem posição fechada sobre como se formam líderes, ele aconselhou os jovens a seguirem os sonhos com convicção. “Compreender a si mesmo é o caminho mais fácil para a conquista, pois nos conhecendo podemos traçar estratégias. Ter coragem também é importante. Quando um headhunter disse que meu inglês era deficiente, larguei o emprego, vendi meu carro, fui estudar sete meses na Inglaterra e me sustentava fazendo serviços de barman num hotel”, relatou.

Praticante de vôlei, Luiz Rezende define esse esporte como bom exemplo de como o trabalho em conjunto é mais eficiente, pois exige compartilhamento de ideias e participação de todos nas ações. Mesmo que haja um líder, é seu papel inspirar e ser o facilitador, para depois cobrar resultados, definiu. “Inspirar significa gerar um ambiente favorável para que todos tenham paixão pelo que fazem. Facilitar é entender o problema que se apresenta e, dentro da sua competência, ir desamarrando os nós. A partir do momento em que todos estão centrados e engajados, podemos agir com fundamento, sem improvisação”, descreveu, Rezende, que se formou em Economia na Fundação Santo André e pós-graduou-se na FGV.

 

Transparência e sexta livre

 

Transparência e respeito ao próximo são atributos que Luis Rezende também reputa como importantes. “Murmurinhos” sobre decisões tomadas sem um processo participativo geram clima de desconfiança, enquanto a cortesia entre as pessoas, a seu ver, “é o princípio de qualquer relação humana”.

Na Volvo Cars a transparência começa já pelo processo sucessório. Cada diretor tem um gerente sendo trabalhado como seu substituto. Exemplo de respeito entre colaboradores é o livre trânsito no ambiente de trabalho, como a porta aberta do CEO para quem quiser entrar. Os móveis foram importados da Suécia para proporcionar melhor ergonomia funcional. Frutas à disposição o dia inteiro e espaços ensolarados também são ingredientes valorizados no escritório, bem como a dispensa do trabalho nas tardes de sextas-feiras.

“O colaborador já vai despressurizando na sexta, descansa no sábado e domingo junto aos familiares e chega na segunda-feira com muito mais energia”, acredita o diretor geral da Volvo Cars, que vê nesse benefício um respeito estendido às famílias. O resultado disso é que o índice de aprovação da empresa chega a 90% e pelo menos 80% têm carro da marca Volvo. Entre funcionários diretos, terceirizados, fornecedores e parentes, são hoje 2.980 dependentes da Volvo Cars.

Ex-diretor de Finanças e há nove meses no posto de Chief Executive Officer, Luis Rezende não nega a existência de pressões da matriz sueca. Confessa que, além das sessões de terapia que faz há seis anos e os jogos de vôlei praticados como válvula para extravasar, enfrenta de frente as adversidades. Muito diálogo, sensibilidade para os erros e acertos dos colaboradores, humildade para aprender e aceitar fatos dos quais discorda – como demissões – são atitudes que costuma exercitar quando o bem da empresa for o objetivo maior. “Só não tirem meus 34 anos. Tenho desafios e responsabilidades, mas quero viver minha juventude”, condiciona. 
Veja abaixo a entrevista concedida ao portal da Metodista: 

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