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Evento da Harvard Business Review discute inovação para solução de conflitos e os desafios de inovar nas empresas

Sheldon Himelfarb do Peace Tech Lab e Eduardo Fusaro da Strategy & PWC realizaram palestras e debate com o público

02/09/2016 18h30 - última modificação 02/09/2016 18h29

Sheldon Himelfarb do Peace Tech Lab e Eduardo Fusaro da Strategy & PWC realizaram palestras e debate com o público

Inovar para melhorar os processos empresariais e para aumentar a cultura de paz no mundo foi o tema do “Workshop Inovação e Estratégia” realizado nesta sexta-feira (02) na Universidade Metodista de São Paulo. O evento foi promovido pela Harvard Business Review Brasil, com oferecimento da PWC e apoio da ABERJE e do CIESP - São Bernardo do Campo. Voltado para profissionais que desejam trabalhar com inovação como um de seus pilares estratégicos, o evento contou com exposições dos palestrantes e uma mesa com debate e participação do público presente.

Inovação e solução de conflitos

O CEO do Peace Tech Lab (Instituto da Paz dos Estados Unidos), Sheldon Himelfarb trouxe importantes contribuições a respeito do conceito de gestão de conflitos para acelerar iniciativas de inovação utilizando ciência, tecnologia e parcerias. “Estou muito animado em estar aqui, sei que esse é um local com pessoas muito inteligentes e nós precisamos de suas mentes e de sua parceria. Nós acreditamos que temos uma oportunidade histórica de inovar e melhorar drasticamente a maneira que o mundo e a comunidade internacional evitam os conflitos violentos, promovendo a paz”, diz Himelfarb iniciando sua fala.

Ele acredita nisso por conta de duas razões básicas: essa é a primeira vez na história humana em que qualquer pessoa com um celular e uma conexão à internet pode enviar dinheiro, ideias e informações ao redor do mundo com apenas um botão. E porque essa é a primeira vez em décadas, vemos um consenso, tanto dos políticos quanto dos ativistas de que as ações para tornar o mundo menos violento não estão funcionando.

Em seguida, citou diversos casos de pessoas que utilizam a tecnologia para ajudar comunidades em locais de conflito. Como uma jovem no Quênia que organizou o envio de mensagens de texto para comunidades sob ameaça e um jornalista que está fazendo um rastreamento de vários profissionais para criar uma rede de mídia e combater a corrupção. Essas são pessoas que hoje atuam como inovadores e disseminadores da paz por meio de informação, tecnologia e mídia.

Mas Himelfarb acredita também que as mesmas ferramentas que empoderam quem luta pela paz, empoderam grupos que geram violência, pois eles também têm acesso à informação rápida. Um dos desafios seria, então, amplificar o potencial das tecnologias para salvar as vidas e cita quatro pilares para que isso seja feito: Convocar, Conectar, Construir e Inspirar.
“Meu país gasta $500 bilhões por ano em parafernália militar, $46 bilhões em diplomacia e apenas 35 milhões em solução de conflitos, enquanto isso, o Google gasta $72 milhões com comida. Eles gastam mais com alimentação do que nós gastamos com a luta por paz. Nós podemos fazer mais”, diz.

E encerrou sua fala com uma história: “um ex-diplomata me contou que ‘estava em Timor Leste depois da guerra e recebi um orçamento do tamanho do orçamento do país, estava ficando muito deprimido porque não conseguia fazer muito. Mas percebi que quando eu cheguei, dei para o locador um cheque de 500 dólares e ele pegou aquilo e comprou um ônibus antigo. No mês seguinte, trouxe um motor antigo de ônibus, e no mês seguinte comprou peças. Quando estava saindo do país, vi que com o dinheiro do governo eu não tinha feito quase nada, mas com meu aluguel consegui dar início à maior companhia de ônibus em Timor Leste, que a partir daquele momento levou milhares de pessoas ao trabalho todos os dias’. E ele me disse ‘mantenha o foco nessa ideia da interseção entre inovação de gestão de conflitos e inovação do setor privado porque chegou o tempo em que essas duas coisas podem ser bem ligadas’”.

Metodista na solução de conflitos

Luciano Sathler Rosa Guimarães, Diretor da Educação a Distância da Metodista, mediou o encontro, tanto entre os intervalos de cada palestra, quanto na discussão final do encontro. Ele também comentou a respeito do que foi dito por Himelfarb.

“Talvez você pense que essa é uma realidade muito distante, por conta dos países mencionados, mas pelos números que encontramos a respeito da violência no Brasil, sabemos que vivemos em um país em guerra civil, não oficialmente declarada, e que em várias partes do país, temos investimentos que não deram resultado porque não implementamos ainda uma cultura de paz. Na Universidade Metodista temos parte em vários movimentos para buscar gerar essa chamada cultura de paz, na África do Sul, na Guatemala, e isso se torna fundamental para poder avançar”, declara. 

E para convidar o próximo palestrante, Sathler explica que, apesar de parecerem muito diferentes, ambas as palestras são convergentes, pois “não podemos falar de inovação se alguns elementos da cultura não forem mudados, entre eles, paz dentro e fora das empresas”. 

Os desafios de inovar dentro de uma grande corporação

Eduardo Fusaro é diretor da Strategy & PWC e abordou alguns dos desafios encontrados para inovar dentro de uma grande corporação. Para o palestrante, os recursos financeiros não são críticos para que uma empresa já bem posicionada no mercado passe a inovar. Ele acredita, no entanto, que a cultura da empresa deve ser alterada para que a inovação faça parte de suas bases. Fusaro define cultura corporativa como “representa os padrões autossustentáveis da organização sobre como se comportar, sentir, pensar e acreditar”. Essa cultura permeia as decisões do dia a dia da empresa, assim como as grandes decisões. Fusaro afirma que em metade das empresas pesquisadas, acredita-se que a cultura não está da maneira como se esperava.

As empresas podem ser dividas em tipos como “Need seekers”, que buscam e antecipam as necessidades dos clientes, “Market readers”, que fazem comparações com o mercado e inovam de acordo com essas informações, e “Technology drivers”, que são empresas que buscam inovar dentro da tecnologia. “Hoje vemos que os Need Seekers são os que estão com melhor performance no mercado, pois o que te torna melhor é o que te faz diferenciado, que é se antecipar e entender melhor o cliente. Essas empresas têm uma cultura de inovação mais forte do que as outras”, explica.

Ele aponta isso como uma tendência e um objetivo para outras empresas: “elas buscam uma cultura que estimula o orgulho por um produto bem feito e por essa ligação com o cliente. As culturas que fomentam o envolvimento do cliente no processo te inovação têm mais resultado”. Mudar a cultura da empresa não é fácil, o caminho, segundo o palestrante, começa com um exame, uma análise, da companhia. É preciso identificar onde a empresa está, qual é o nível de satisfação da instituição e pensar em como se quer que a cultura seja.

Depois é preciso criar uma estratégia de inovação, um alinhamento entre comunidade técnica e alta gestão e um plano de ação tangível. Ele também cita que é necessário ter uma comunicação consistente dentro da empresa, reconhecer os talentos e manter um treinamento contínuo dos funcionários e clientes, envolvendo-os no processo de criação.

Após as duas exposições, foi realizado um debate a respeito do tema, contanto com as questões do público presente. O evento foi transmitido pela internet e está disponível no Youtube na íntegra, clique aqui para assistir.


“Workshop Inovação e Estratégia”

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