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Criatividade é saída para resolver velhos problemas (ou ter novo olhar sobre eles)

Humorista e palestrante Murilo Gun sugere ter “ideias loucas” diante de um mercado em mudanças aceleradas

14/08/2015 20h20 - última modificação 19/04/2016 18h44

Foto Agerh

Todo ser humano nasce criativo. O problema é que vai desaprendendo e pensando “dentro da caixa” diante de tantas regras e bloqueios estabelecidos ao longo da vida que engessam sua capacidade de pensar e agir diferente.

“Quando você tiver uma ideia e alguém pergunta ‘tá louco’?, siga em frente. Você está sendo capaz de contrariar a lógica e fazer propostas diferentes”, desafia o humorista Murilo Gun, a mais nova sensação como palestrante empresarial e de auto-ajuda, que comandou o 12º Meeting da Associação dos Gestores de Recursos Humanos (Agerh) dia 13 último na Universidade Metodista de São Paulo.

Ele admite que ser criativo é um desafio diante de respostas e soluções-padrão predominantes na vida pessoal e profissional. É mais fácil às pessoas fixarem-se nas zonas de conforto e não enfrentar embaraços ou contratempos no ambiente de trabalho e na família.

“O padronizado é muito bom. Está nos livros, já foi testado e funciona. Mas o mundo mudou. Tudo agora acontece mais rápido e é preciso no mínimo questionar respostas prontas”, aconselha ele, que foi um dos pioneiros na criação de sites no Brasil e em 2014 foi selecionado entre 80 empreendedores do mundo para morar 10 semanas no NASA Research Park, no Vale do Silício, estudando inovações. Sua palestra versou sobre “Novos Rumos da Gestão Empresarial - Inovação e Criatividade Fazem a Diferença”.

Aos 32 anos, Murilo Gun é representante típico da chamada economia criativa, definida como dar respostas novas às demandas do cotidiano atual ou a velhos problemas. O aplicativo Uber é exemplo da polêmica que gera junto aos taxistas, pois ao facilitar o transporte individual incomoda o “modus operandi” dos frotistas convencionais. Não que as pessoas devam jogar no lixo seu passado e competências conquistadas, mas, segundo Gun, devem repensar-se e adaptar-se, sendo sugestoras de novos caminhos.

“Tentem colocar um homem de marketing numa reunião com quatro advogados para solucionar uma questão jurídica. É claro que os quatro advogados vão pensar numa única direção e dentro dos padrões das leis, mas o profissional do marketing sem dúvida verá um caminho diferente”, sugere, divertindo a plateia.

3 bloqueios e 3 técnicas     

Murilo Gun chegou à conclusão de que há pelo menos três grandes bloqueios no caminho da criatividade: as respostas prontas, a especialização do conhecimento e o próprio cérebro. Mas há também três técnicas para desviar dessas “desaprendizagens”: o pensar divergente, o pensar abstrato e o repensar os problemas.

As respostas prontas ele atribui aos pais e escolas, principalmente. Seriam poucos os educadores que permitem pensar ou ter ideias fora dos gabaritos dos testes, dos conteúdos dos livros e dos hábitos em família. “As escolas estão formando pessoas iguais para um mundo que exige soluções diferentes. E os pais desconversam ou dão respostas padrão diante de perguntas curiosas das crianças”, diz, sugerindo que se fuja da primeira resposta, não se contentando mesmo que esteja certa. “Busque a segunda resposta certa”.

O segundo bloqueio (do especialista) remete às limitações do conhecimento específico e de experiências em comum, o que impede atiçar a curiosidade e ser capaz de contrariar a lógica. “Steve Jobs criou o iphone em cima do palm e do celular que já existiam. Aperfeiçoou e introduziu o toque na tela. Toda solução criativa é combinação de outras soluções já dadas”, aposta, dizendo que devemos ser “especialistas curiosos”.

O terceiro bloqueio (do cérebro) é a zona de conforto onde a mente se acomoda para poupar energia corporal. Nessa zona, que Murilo Gun rebatizou de zona de estagnação, está todo o aprendizado convencional que recebemos durante a vida, daí a necessidade de romper essa barreira com questionamentos e invadir o que chamou de zona de diferenciação criativa.

Pensar criticamente    

Sobre os três antídotos para esses limites, o pensar divergente significa avaliar as situações criticamente e escapar da convergência (a escolha de ideias e soluções prontas). Já o pensar abstrato e o repensar um problema seriam resultados de se ter “pensamento lateral”, ou seja, investigar mais e ver um problema sob outro ângulo.

Porta-voz da Metodista na abertura do evento, professor Fulvio Cristofoli, diretor da Escola de Gestão e Direito, afirmou que a universidade trabalha com intensidade a inovação e criação no conteúdo curricular, convidando os gestores de Recursos Humanos a se juntar a esse esforço acadêmico. Convidou as mais de 300 empresas representadas no 12º Meeting de Gestão Corporativa a fortalecer a parceria escola-academia, seja na formação profissional, seja na prestação de serviços.

O multiinstrumentista Alexandre Reis comandou a apresentação cultural com um popurri de MPB ao violão.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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