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Ambiente econômico depende de solução da crise política, diz economista da Bloomberg Intelligence

Marco Maciel inaugurou série de encontros mensais do Metodista Business Meetings

18/03/2016 16h55 - última modificação 16/08/2016 20h34

A crise internacional explica parte da recessão econômica do País, já que as exportações brasileiras respondem por apenas 12% do PIB (Produto Interno Bruto). É a crise moral e institucional que atinge o governo a responsável pelos empresários estarem hoje com o freio de mão puxado.

“A presidente Dilma está parcialmente correta ao atribuir nossa crise à economia internacional. A cada 1% de desaceleração da China, caímos 1,8% por causa das exportações de commodities brasileiras para lá. A questão é que o País está conflagrado com a crise política atual. O próximo presidente não vai resolver a curto prazo os problemas estruturais brasileiros, mas tirando o atual governo do caminho, o ambiente melhora”, afirmou o economista sênior da Bloomberg Intelligence Marco Marciel, em palestra de abertura do Metodista Business Meetings na noite de 17 de março.

Segundo ele, atores-chave da economia brasileira, como grandes estatais e capital privado, estão paralisados porque só enxergam na destituição do atual governo a ruptura necessária da crise política e a consequente normalização da vida econômica. Ele exemplificou com o movimento oscilante do mercado nos últimos dias, com ações na Bolsa de Valores se valorizando e dólar caindo a cada avanço na ação de impeachment da presidente Dilma Roussef, ocorrendo o inverso quando esse cenário recua.

Marco Maciel abriu o Businness Meetings -- série de encontros mensais que vão abordar soluções para a economia -- falando sobre “Cenário Econômico Brasileiro e o Ajuste Fiscal Implementado pelo Governo Federal”. Por meio de gráficos, ele demonstrou que o ajuste fiscal (corte de despesas) é a pior alternativa no momento. Pelo menos 80% dos gastos federais são obrigatórios (não-discricionários) para cobrir despesas com Previdência Social, folha de servidores, saúde, educação etc. “Tem que sentar com o Congresso Nacional e rever isso”, aconselha.

Dos 20% restantes do orçamento federal (as chamadas despesas discricionárias), pelo menos 60% representam investimentos em habitação e infraestrutura. “Se cortar, serão menos estradas, menos energia, menos melhoria portuária”, pontuou.

Na visão do economista da Bloomberg Intelligence, por paradoxal que pareça, um caminho aberto para a economia crescer está na manutenção dos juros elevados em 14,25% (taxa oficial Selic), mesmo que ao duro preço do alto desemprego e da baixa produção. Segundo seu raciocínio, juro alto é a força deflacionária mais importante no momento – e com a queda da inflação e economia voltaria a reagir, a arrecadação tributária subiria e os investimentos públicos e privados retornariam. “Cada 1% de crescimento da economia brasileira gera 3,5 vezes de arrecadação”, citou, dizendo que o inverso também é verdadeiro, daí a debilidade do caixa público após a queda de 3,8% do PIB em 2015 e previsão de outro declínio semelhante neste ano.

Comunicação e crise
Os encontros mensais com especialistas são promovidos pela Metodista em parceria com CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, regional São Bernardo). O próximo evento vai tratar de “Gestão da Comunicação em Tempos de Crise”, na noite de 13 de abril, com Luiz Alberto de Farias, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abracorp).

O evento é aberto ao público em geral e o investimento para cada palestra é de R$ 100. Empresas conveniadas à Metodista e ao CIESP-SBC têm direito a dois convites cortesia para distribuir entre funcionários.

Veja a programação:
13 de ABRIL - Luiz Alberto de Farias - Presidente da Abrapcorp
Palestra: Gestão da Comunicação em Tempos de Crise

18 de MAIO - Alexandre Kaknis Neto - Controller do grupo Ansell-Blowtex
Palestra: A Controladoria e a Estratégia de Negócio de uma Empresa Diante dos Cenários Macroeconômicos

16 de JUNHO - Bruno Rondani - Fundador da Allagi e presidente do Centro de Open Innovation – Brasil
Palestra: Como as empresas podem inovar em parceria com startups

Confira como foi o evento:

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