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Vulnerabilidade não atinge só negros e menores de idade, expõe ativista social

19/03/2015 19h20

Fotos Lara Molinari

Há quase 40 anos o hoje professor e consultor Reinaldo Bulgarelli olhou para o futuro e concluiu que a luta dos negros para superar a marginalização social no Brasil era apenas uma frente de combate diante de tantos outros grupos excluídos. Os negros, assim como os menores de idade, já não dominam mais o espaço hoje chamado de “público vulnerável”. Um jovem universitário que não encontra financiamento estudantil, a mulher que exerce iguais funções profissionais mas ganha 30% menos que o homem, os presos que já cumpriram sentença mas não conseguem colocação no mercado, o deficiente físico que não dispõe de acessibilidade urbana adequada, as vítimas de enchentes e catástrofes climáticas, enfim, são muitos os que estão hoje em situação de risco diante da complexidade da vida moderna.


“Vulnerabilidade não está ligada só à pobreza. Você pode ter renda, mas ser negro numa sociedade racista, ou pode ter dinheiro, porém morar em local sem qualquer saneamento básico”, exemplificou Bulgarelli, que iniciou seu ativismo na área de direitos humanos na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Capital paulista, e hoje se dedica a disseminar conhecimentos sobre responsabilidade social, sustentabilidade e diversidade de gênero em aulas na Fundação Getúlio Vargas e em consultorias a dezenas de empresas por meio da Txai. Foi um dos fundadores da ONG Meninos e Meninas em Situação de Rua e um dos formuladores do ECA (Estatuto da Criança e Adolescente).


Segundo a coordenadora do curso de Direito da Universidade Metodista de São Paulo, professora Alessandra Sabatine Zambone, o tema vulnerabilidade vai pautar as atividades acadêmicas de 2015, por isso motivou a palestra de Reinaldo Bulgarelli sobre "A Condição do Vulnerável na Sociedade Contemporânea" na Aula Magna do dia 18 deste mês. Ela lembrou que leis não faltam para reger as várias situações de risco e danos sociais, mas exortou os alunos a agir no Direito com humanismo e solidariedade, não só como operadores técnicos. Professora Alessandra participa do livro "Direitos Humanos: Perspectivas e Reflexões para o Século XXI", lançado durante o evento, com o artigo "O Direito à Educação na Constituição de 1988".


Maiorias discriminadas


Professor Bulgarelli enfatizou que pessoas e grupos “estão” vulneráveis, não “são” vulneráveis. Por isso, são situações que podem mudar. A deficiência física é maior ou menor conforme se erguem mais ou menos rampas de acesso ou elevadores, exemplificou.


Citou também o preconceito contra mulheres em ambientes corporativos, já que elas carregam “o problema” de engravidar. “Não podemos achar natural essa diferença de gênero. Temos que naturalizar a igualdade, a velhice que todos vamos alcançar. Por que questionam só as mulheres e não os homens sobre como conciliam carreira, família e casa?”, perguntou.


O consultor também descreveu que vulnerabilidade não é exclusividade de minorias. Negros são metade dos brasileiros e ocupam não mais que 5% dos cargos de liderança, enquanto as mulheres representam 51% da população, porém são os homens que dominam 90% dos postos de chefia no Brasil. Apontou ainda um novo grupo fragilizado: o da terceira idade, visto como improdutiva para atividades sociais e para o mercado de trabalho. “O ciclo de vida produtivo nas empresas adota hoje uma linha de corte aos 35 anos. Acima disso, acredita-se que não vale mais a pena investir no funcionário”, falou, com indignação.


Centralidade nas pessoas     


A solução para esses cenários, que ele define como busca pela emancipação da humanidade, passa pelo empoderamento das pessoas. Significa dar condições para que possam participar, decidir, realizar escolhas por conta própria, independente do seu grau de instrução e de riqueza. Resumindo: gente no centro de tudo. “O desenvolvimento deve ser das pessoas, para as pessoas e com as pessoas. Não se trata apenas do crescimento da renda e do PIB, mas de como isso é distribuído para dar oportunidades e capacidades às pessoas”, afirmou professor Reinaldo Bulgarelli.


Os três pilares que ajudariam a sedimentar o que queremos ser como humanidade seriam: direitos humanos, desenvolvimento sustentável e desenvolvimento humano. A agenda positiva para combater as vulnerabilidades estariam, segundo Bulgarelli, nos 7 direitos básicos elencados pela PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento):


• Não sofrer miséria
• Não ser discriminado
• Não viver com medo
• Não sofrer injustiça
• Não sofrer exploração
• Não ter o potencial limitado
• Poder participar das decisões

 

 

 

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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