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Oficina de Pais e Filhos na Metodista ajuda casais em conflito ou em situação de divórcio

Curso de Direito é o 4º polo do Estado que promove encontros mensais em busca de entendimento amistoso entre casais

23/10/2015 18h40 - última modificação 27/10/2015 17h09

Ilustrações Cartilha ENAM

E. está separado da esposa há dois anos. O filho adolescente tornou-se agressivo, começou a beber e a fumar e as faltas na escola já superam 40% das aulas. A filha de 6 anos sempre pergunta quando o pai voltará para casa... L. chegou a acionar várias vezes a polícia nas crises de raiva do ex-marido, que por longos períodos a agrediu fisicamente na frente do filho, hoje com 11 anos. O pré-adolescente está inclusive triste e magoado pela separação familiar, mas principalmente porque o pai mentiu e já está com outra mulher...

Pesquisas indicam que o divórcio é o segundo evento que causa mais impacto na vida das pessoas, atrás apenas da morte. As perdas vêm de vários lados: da estrutura pessoal, da rotina diária, de amigos e parentes, das expectativas que mudam a partir de sonhos desfeitos, sem falar no estresse de começar a lidar com questões legais como audiências para guarda dos filhos, pensões alimentícias, visitas legais etc.

Antes do divórcio, porém, muitos pais arrastam os filhos para o conflito, agredindo-se na frente deles ou falando mal do outro na sua ausência, ou ainda usando as crianças como mensageiros e espiões.

Para aliviar situações como essas e como as de E. e L., cujos depoimentos são reais, a Universidade Metodista de São Paulo promove mensalmente a Oficina de Pais e Filhos, que teve início em outubro do ano passado por meio do curso de Direito. É o quarto polo do Estado a oferecer esse tipo de atendimento, criado em 2012 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por iniciativa da juíza Vanessa Aufiero da Rocha, da 2ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente. A ideia é oferecer atendimento a casais em litígio e buscar o menor dano emocional aos envolvidos.

Fora do ambiente forense    

“Já vimos situações extremas de pais que nem se conversam mais. Isso reflete diretamente nos filhos, que podem se tornar agressivos ou desenvolver alguma doença emocional, exigindo acompanhamento psicológico”, cita a coordenadora do curso de Direito da Metodista, professora Alessandra Zambone, que vê vantagens na busca da reorganização familiar fora do ambiente forense, orientando pais a criar bem os filhos ainda que estejam separados. O entendimento da Justiça é o de que, se esses pais estiverem informados, os conflitos se reduzirão e, consequentemente, também o número de processos na Justiça.

As oficinas são realizadas por advogados e alunos capacitados em conciliação. Os casais são indicados pelo Fórum de São Bernardo. São situações diversas de conflito, como rompimento da relação, ação de divórcio, dissolução de união estável, ação de guarda e regulamentação de visitas, entre outros. Os casos são encaminhados à oficina em qualquer fase do processo.

As sessões ocorrem na forma de um único encontro e duram em média quatro horas. São realizadas em grupos, para adultos e para filhos entre 6 e 16 anos. O ex-casal é separado e colocado em grupos mistos integrados por homens e mulheres, cada qual podendo dar seu depoimento ou opinião diante das orientações passadas pelos oficineiros. Nas oficinas são exibidos também vídeos com situações de conflitos reais e distribuídas cartilhas com material de orientação. Um exemplar é para os pais e outro para os filhos, que na Metodista são reunidos na Brinquedoteca ou, no caso dos adolescentes, em uma oficina de atividades.

Divórcio não extingue família    

“O divórcio não extingue a família: pai, mãe e filhos não terminam”, diz no início o material em vídeo, que convida todos ao diálogo. As cartilhas ensinam os pais sobre técnicas apropriadas de comunicação na família, as consequências que os conflitos causam aos filhos, informações legais sobre alienação parental, guarda, visitas e alimentos.

Quanto aos filhos, a Oficina esclarece sobre as consequências do rompimento dos pais e sobre seus direitos, como o direito de não ser interrogado pelo pai ou pela mãe ao término de cada visita, de não ser usado como mensageiro entre eles, de não se sentir culpado por continuar a gostar da mãe ou do pai que saiu de casa, de não tomar partido entre os pais e de não presenciar as discussões deles, entre outros

A experiência tem apresentado resultados. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os índices de conciliação dos que não participam das oficinas giram em torno de 50%. Entre ex-casais que passam pela experiência, a taxa sobe para 70%. Estatísticas indicam que 30% dos casamentos no Brasil acabam em divórcio.

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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