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Inglaterra perde ao sair da Comunidade Europeia, afirma professora da Universidade de Coimbra

Palestra do curso de Direito lembra dos 60 anos do Tratado de Roma, em 2017

07/08/2017 16h35 - última modificação 07/08/2017 16h34

Prof. Isabel Valente diz que Europa pode voltar às guerras fraticidas se não se unir

A deserção do Reino Unido (Brexit) da União Europeia é mais desvantajosa aos britânicos do que aos europeus. Se por um lado a Europa perde na dimensão atlântica e de defesa do continente, por outro o Reino Unido deixa de contar com seu principal parceiro comercial. “Serão uma ilha isolada, pequena para o mundo”, opinou a professora Isabel Maria Freitas Valente, da Universidade de Coimbra, Portugal, ao falar sobre “60 anos do Tratado de Roma: O Livro Branco e o futuro da União Europeia" na abertura do 2º semestre do curso de Direito da Universidade Metodista de São Paulo.

Citando que o Reino Unido nunca aderiu 100% à união política e financeira do bloco, a ponto de manter a autonomia monetária da libra, Isabel Valente não teme que a postura dos ingleses influencie em igual atitude de outros Estados da UE. Ela se preocuparia com esse tipo de precedente caso partisse de algum país fundador (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo), o que seria duro golpe ao projeto europeu pela referência que os criadores representam para os 27 membros.

Xenofobismo vergonhoso

Mais do que isso, a professora de Coimbra receia a onda de xenofobismo que permeia a Europa com a imigração em massa que, a seu ver, deve ser bem recebida. Ela cita a baixa natalidade dos europeus diante do desafio de repor mão-de-obra para movimentar a economia e custear a aposentadoria de uma população cada vez mais envelhecida.

“Temos espaço suficiente para receber imigrantes. Esse combate é vergonhoso! Conseguimos uma Europa social muito forte e é evidente que há um preço a pagar. Neste momento nossa população é envelhecida e representa só 4% do mundo”, advertiu a docente, defendendo que a União Europeia mobilize seu patrimônio intelectual e imaterial para se recuperar econômica e geograficamente frente a escassez de moradores nativos, matérias-primas e energia. “Senão, voltaremos a ser uma Europa com guerras fratricidas”, acrescentou.

Isabel Valente resgatou na palestra momentos da história do continente em que prevaleceram movimentos nacionalistas, separatistas, colonizadores e federalistas. Mas, segundo lembrou, entre esses períodos de fragmentação sempre se manteve a “nostalgia da unidade” dos europeus. Desde a 2ª Guerra Mundial essa identidade renasceu a partir de uma Europa devastada, que resolveu se reconstruir por meio de vários tratados trazendo como eixos principais o princípio do Estado de Direito, o sufrágio universal para eleições políticas, um sistema monetário único e o caráter pacifista dos Estados.

“No século 19 a Europa não conheceu um dia sem guerras. No século 20, tivemos sete décadas de paz”, citou a doutora em Altos Estudos Contemporâneos (História Contemporânea e Estudos Internacionais Comparativos) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, entre outros títulos.

Atualmente discute-se em audiências públicas o chamado Livro Branco, que traça cenários para o bloco europeu até 2025. Segundo a palestrante, deve prevalecer a “Europa a la carte”, que prevê “fazer mais com quem quiser mais” como estratégia de sobrevivência, no lugar da partilha igualitária de recursos e decisões que prevalece hoje entre os Estados membros.

Veja imagens do evento conduzido pela coordenadora do curso de Direito, Alessandra Zambone, e pela professora Maria Cristina Teixeira na noite de 4 de agosto último: 

Palestra - 60 anos do Tratado de Roma

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