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Indústria e tecnologia impulsionam potência chinesa, mostra palestrante de Comércio Exterior

Mercado livre é uma das oportunidades de negócios em expansão

13/09/2017 16h55 - última modificação 13/09/2017 16h56

Cheng Lung: investimento em inovação e infraestrutura

Há cerca de 30 anos a China enxergou na manufatura de produtos uma mina de ouro. Deixou para trás artigos copiados, mal feitos e sem marca (os conhecidos xing-ling) e investiu em tecnologia e inovação. Bingo! Hoje colhe os frutos de ser bem sucedida no planejamento industrial ao ocupar o topo dos maiores exportadores do planeta: nada menos que US$ 2,37 trilhões em embarques feitos no ano passado – um oceano de distância em relação aos US$ 197 bilhões do Brasil.

“O Brasil tinha tudo para dar certo, mas ficou no caminho com políticas protecionistas”, afirma o engenheiro Chen Kuo Lung, nascido na rival Taiwan, ilha dissidente da China, ao apontar como os chineses se tornaram um ávido mercado de 1,3 bilhão de habitantes e um parceiro comercial formidável.

Chen Lung falou às turmas de Administração-Comércio Exterior da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 11 de setembro sobre “Negócios com a China”. Entre outras oportunidades de parcerias, apontou o crescimento do mercado livre (cross-border) proporcionado pelo florescimento dos portos secos. Esse e-commerce B2B (empresa-empresa) consiste em as nações mandarem seus produtos para a China e os próprios chineses revenderem. O Brasil simplesmente não figura nesse mercado. “E eles adoram nossas sandálias havaianas”, brincou o palestrante, que chegou ao Brasil aos 16 anos e hoje é naturalizado. Trabalha atualmente na D-link como controlador financeiro.

A arma secreta que permitiu à China inscrever seu nome no minúsculo rol de países com projeção econômica mundial – embora a um custo humano com a falta de democracia – vai além de investir na plataforma industrial. O país também faz inversões maciças de recursos na infraestrutura.
Cidades em desenvolvimento como Cheng-Du, chamada de 2ª linha, contam com urbanismo sofisticado repleto de edifícios e comércios com as marcas mais cobiçadas do mundo, além de rios urbanos nos quais é possível fazer pic-nic e pescar. Cheng-Du dispõe de trem-bala para passageiros e cargas e está chegando próximo de 140 quilômetros de metrô, onde investe desde 2005. A cidade lançará a partir de 2020 projeto para chegar a 650 quilômetros. São Paulo, que tem metrô desde 1979, não soma mais do que 78 quilômetros.

Brasil fraturado   

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Palestra focou alunos de Comércio Exterior

“A população chinesa é seis vezes maior que os 207 milhões de brasileiros, mas o que conta é a exportação per capita de alta tecnologia. Cada chinês exporta 10 vezes mais alta tecnologia do que cada brasileiro”, exemplificou, ao expor que de 1985 a 2012 o crescimento chinês teve curva semelhante à brasileira. A partir de 2012 as paralelas econômicas se soltaram e o padrão de renda de cada chinês sobiu a US$ 8 mil/ano, contra US$ 6 mil do brasileiro. Instabilidade política e economia em geral sofrendo fraturas comprometem os investimentos no Brasil.

“A China tem uma população de jovens bem formados, instruídos e ricos porque a maioria é composta de filhos únicos”, apontou Chen Lung sobre a política demográfica que vigorou até 2016, hoje flexibilizada para mais filhos em cada família. Exemplo de poder de consumo está no turismo: os chineses são líderes em despesas com viagens, gastando US$ 292,2 bilhões no ano passado – quase três vezes mais que o 2º colocado, os EUA, com US$ 112,9 bilhões.

Outro projeto grandioso da China foi lançado em maio deste ano, batizado de One Belt, One Road – Um cinturão, Uma Estrada, que pretende unir 68 países da Ásia e Europa até 2.050 e colocar 3 bilhões de pessoas na classe média. A logística, portanto, será um grande diferencial e outra grande oportunidade de negócios com os chineses, apontou o palestrante aos alunos de Comércio Exterior.

Os chineses são os maiores parceiros comerciais do Brasil, numa relação bilateral de US$ 70 bilhões no ano passado e US$ 30 bilhões de superávit a favor do Brasil. Com os Estados Unidos a relação de US$ 50 bilhões em negócios está zero a zero, ou seja, nenhuma nação tem superávit.

 

 

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