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Associação entre Terrorismo e Islamismo é mais mito do que fato, segundo estudioso da PUC

27/02/2015 20h15 - última modificação 06/03/2015 17h05

Em um mundo repleto de informações como o de hoje, associado às perseguições religiosas que têm sido constantes ao longo da história, corre-se grande risco de generalizar fatos e fazê-los virar verdades. Assim ocorre com o autoproclamado Estado Islâmico (EI), um grupo de extremistas que em nada reproduzem a concepção de Estado ou Nação, muito menos do Islã, embora ajam em nome de Maomé.

“É um bando de loucos. O objetivo do terrorismo é esse mesmo: chamar a atenção, estar em evidência”, resumiu o professor Reginaldo Mattar Nasser, chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC São Paulo, em aula magna do Curso de Ciências Sociais da Universidade Metodista na noite de 26 de fevereiro.

Com o tema “Terrorismo e Islamismo: Fatos e Mitos”, Reginaldo Nasser definiu o terror como fenômeno político e sociológico, mas fundamentalmente psicológico. Mexe com emoções, percepções e, diante do viés que se dá à sua divulgação, acaba formando consenso nem sempre condizente com os fatos. A seu ver, são equivocados os fatos históricos que associam muçulmanos a atos irracionais, como os que são praticados pelos militantes radicais do EI.

O recente ataque à publicação francesa Charlie Hebdo, segundo o professor da PUC, visou menos a calar a imprensa – como enfatizou o mundo ocidental – e mais a destacar a facção terrorista. “Eles conseguiram, porque a Charlie Hebdo saiu de 60 mil para mais de um milhão de exemplares e os atos do EI acabaram reverberados. Vejam o número de jovens que ultimamente estão saindo de casa para aderir ao movimento”, citou Reginaldo Nasser, referindo-se a três garotas menores de idade que há poucos dias conseguiram embarcar sozinhas em Londres rumo à Turquia e Síria, onde o EI domina territórios importantes.

O estudioso de Relações Internacionais acha que o Ocidente cria ou enaltece informações que associam o Islã ao terror ainda como rescaldo da guerra fria Estados Unidos x União Soviética das décadas de 80 e 90. Nessa época os americanos eram associados à liberdade, democracia e valores religiosos, enquanto os comunistas eram vinculados ao totalitarismo e ateísmo. Reginaldo Nasser acha esse conceito perigoso, porque confunde religião com motivação de facções terroristas, alimentando um ciclo dramático de mais violência e mais guerras.

Na guerra civil libanesa dos anos 1980, 80% dos atentados suicidas no Líbano foram organizados pelo Hezbollah, grupo paramilitar denominado partido de Deus. “Só que 60% eram ateus-marxistas, 20% cristãos e só 20% islâmicos”, enumerou.

Muçulmanos, maiores vítimas

Por meio de números, o palestrante mostrou a inconveniência, a seu ver, de estabelecer conexão do terror radical ao Islã, já que a maioria das vítimas tem sido muçulmana. No ano 2000, segundo estudos, 3.800 pessoas foram mortas no mundo em ataques terroristas. O número saltou para 18 mil em 2013 – a partir da contraofensiva americana ao ataque de 11 de setembro. Das 18 mil vítimas de 2013, 85% são do Oriente Médio e África, sobretudo de países islâmicos como Iraque, Síria, Afeganistão, Paquistão e Nigéria.

“Enquanto isso, nos Estados Unidos as mortes por atos terroristas caíram de 217 entre os anos de 1991 e 2000 para 50 vítimas entre 2002 e 2013. Na Europa foram só 7 mortes por atentados e em 2013 apenas uma pessoa foi vítima de ataque jihadista”, citou, sugerindo que as grandes potências ocidentais associam deliberadamente ações de violência ao Oriente, quando são elas as maiores protagonistas de assassinatos. “Foram os americanos que jogaram a bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki e armaram os opositores à invasão russa no Afeganistão, dando origem ao grupo terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden”, lembrou.

No entendimento do professor da PUC São Paulo o círculo tornou-se vicioso, porque quanto mais ataques e invasões, maior será o terrorismo, que agiria em legítima defesa. “Assassinatos como as recentes decapitações de cristãos, para esses extremistas, são atos de defesa, de vingança por uma agressão ao islamismo”, citou.

 

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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