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Tecnologia e multiprofissionalismo adoecem o trabalhador, relata livro de professora da Metodista

Luci Praun apresenta a alunos da Metodista os levantamentos in loco e bibliografia utilizada na pesquisa

06/05/2016 20h55

Professora Luci detalhou pesquisa em fábrica que compôs o livro

A tecnologia que agiliza tarefas e a cultura do profissional polivalente requisitado por 10 em cada 10 empresas, ao contrário do que se imagina, baixaram nuvens cinzentas sobre o mundo do trabalho.

A reestruturação dos processos produtivos está estilhaçando a saúde do trabalhador, cada vez mais pressionado, entre outros, por exigências de alto rendimento, jornadas flexíveis, banco de horas, contratos temporários ou PJ (sem vínculo empregatício) e redução da hierarquia nas empresas. Neste último caso, um trabalhador é alçado a chefe dos colegas e obriga a todos a cumprirem metas de produtividade da equipe.

“Tempo tornou-se elemento chave para o lucro e a competitividade das organizações. A partir da maior intensidade no ritmo de trabalho imposto pelos modelos neoliberais, cada 1 segundo economizado no ciclo de um veículo significa 7 mil carros a mais ao ano em uma fábrica com capacidade para 360 mil veículos”, exemplifica professora Luci Praun, que acaba de lançar o livro “Reestruturação Produtiva, Saúde e Degradação do Trabalho” (Editora Papel Social).

A obra reúne pesquisa realizada em 2011 e 2012 sobre o ambiente em uma automobilística paulista a partir do novo contexto da automação e aumento na velocidade da produção imposto pela globalização econômica dos anos 1980/1990.

A compressão da jornada de trabalho (produzir cada vez mais dentro de determinado período, reduzindo o tempo mínimo para pausas e descansos) não está restrita ao setor fabril, pois adquiriu escala global em escritórios e prestadores de serviços. O resultado é que os trabalhadores estão adoecendo mais. Pior, a precarização acendeu o sinal vermelho quando as doenças trabalhistas saíram dos consultórios médicos e entraram pelos consultórios psiquiátricos, pois o perfil mudou de mutilações físicas para uma grande prevalência de doenças mentais.

Trabalhadores concorrendo entre si    

“Chama a atenção a incidência da doença psíquica, do transtorno mental decorrente dos esforços repetitivos e da pressão por resultados. Entramos em um sistema em que errar não é humano, porque errar dá prejuízo”, fala professora Luci com indignação. 

Segundo ela, os ambientes de trabalho estão forjando falta de solidariedade, aumento de situações de depressão, pessoas vulneráveis com baixos salários e competindo entre si. “Os trabalhadores estão assumindo uma concorrência que antes era das empresas”, conclui a docente.

Dados de 2008 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) indicam que houve 2,4 milhões de mortes por acidentes e doenças trabalhistas e só em 2014 houve 1 milhão de suicídios no mundo (9 mil no Brasil). O agravamento do cenário levou à instituição, em 2014, do 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O livro de Luci Praun, docente na Universidade Metodista de São Paulo nos cursos de Ciências Sociais EAD e graduações presenciais de Jornalismo, Relações Públicas e Psicologia, bem como na Pós-graduação em Psicologia da Saúde, foi apresentado na noite de 5 de maio a alunos e professores dessas áreas. Para compor sua pesquisa, a professora analisou 1.517 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs), 579 das quais emitidas pela empresa e as restantes (938) pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde está a montadora estudada.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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