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Cooperativismo e precarização do trabalho são temas de livro de coordenadora do curso de Ciências Sociais

Estudo também conclui que sustentação de cooperativas depende do poder público

02/07/2019 18h26

A análise sobre os efetivos resultados das cooperativas de trabalho em áreas rurais e urbanas como meio de inserção da mão de obra no mercado e a hipotética melhoria das condições de vida dos trabalhadores foi objeto da tese de doutorado de Claudete Pagotto, coordenadora do curso de Ciências Sociais presencial e EAD da Universidade Metodista de São Paulo, que acaba de ser publicada em livro.

Produção Associada na Era da Precarização Estrutural: Uma Análise da Atuação das Cooperativas de Trabalho (Appris Editora) traz entrevistas em profundidade com 13 cooperativas de trabalho no campo e na cidade com informações sobre a atividade do cooperado exercida por mais de 300 pessoas, entre lideranças e operacionais. “Mesmo organizado sob as regras de cooperativas que orientam para a garantia de melhores condições, o trabalho caracteriza-se pela precarização promovida pelas relações de terceirização e quarteirização, jornadas de trabalho abusivas e pela falsa ideia de pertencimento e de empreendedorismo”, observa a docente.

Sob o alvo das análises da professora Claudete também estiveram grupos de trabalho que recebem apoio de políticas públicas em ambientes urbanos para geração de renda. Um dado curioso é que tanto no campo, com as cooperativas agrícolas, como na cidade a maioria dos trabalhadores é formada por mulheres. Elas representam mais de 80% da mão de obra cooperada, configurando o que a pesquisa detectou como fonte extra da renda familiar. “Esta característica de gênero é mais uma influenciadora para a falta de programas sólidos que garantam a sustentabilidade dos negócios cooperados”, avalia Claudete Pagotto.

Valor coletivo

O estudo também aponta pontos positivos do modelo de cooperativa de trabalho. Segundo a pesquisadora, ao serem organizados dentro um mesmo propósito, os trabalhadores ganham força política em favor de algo que vai além dos objetivos imediatos. “Eles acabam por promover o resgate do valor coletivo, ganham mais consciência social e política, embora, com o passar do tempo, o resultado leve à precarização do trabalho. É um ciclo que se assemelha a enxugar gelo, pois desperta para pontos positivos de cidadania, mas não se sustenta com o passar do tempo. Para cada grande avanço há sempre um recuo”, diz.

Para professora Claudete, a sustentabilidade das cooperativas necessita de política pública de valorização destas iniciativas. Segundo explica, em alguns lugares do Brasil não há outra forma de geração de renda para a massa trabalhadora que não seja o incentivo público a atividades de geração de renda. Exemplo disso são a pesca e a mariscagem realizadas em regiões onde não existem outras alternativas de subsistência.
O que ocorre quando não há a presença do poder público dando sustentação aos programas de cooperativas é que esses trabalhadores são facilmente vencidos pelo poder econômico privado, que chega com novas tecnologias e fôlego para investimento na modernização do processo.

Vale-Verde

Uma das cooperativas pesquisadas foi a Vale-Verde, projeto que visou a apresentar métodos de gerenciamento participativo em áreas mananciais de Santo André, especificamente em Paranapiacaba. O projeto evoluiu para a criação de programa de geração de renda a partir da formação de 23 mulheres na área da costura e confecção que fundaram a cooperativa Vale-Verde de costura. Os primeiros contratos foram com empresas fornecedoras de uniformes à Prefeitura de Santo André e os preços à época, início dos anos 2000, eram de R$ 0,80 para jaleco e R$ 1,10 para uma capa. A relação, portanto, era de quarteirização para o fornecimento do serviço.

A baixa remuneração – relatos apontaram para retirada máxima de R$ 100,00 por cooperada – acabou por desestimular a permanência da maioria das 23 mulheres iniciais que em 2010, data do levantamento da pesquisa, eram apenas três. “Sem vislumbrar a sustentabilidade das cooperativas, o trabalhador não desenvolve autoestima e fica sempre pronto para trocar a condição de cooperado por uma vaga de emprego na iniciativa privada, onde acredita que terá mais chance de futuro”, observa a pesquisadora.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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