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Só com produtividade o Brasil crescerá, alerta pesquisador de economia e educação

Professor da USP falou na série Metodista Convida sobre Inovação, Produtividade e Crescimento

11/09/2018 20h55 - última modificação 11/09/2018 20h59

Botelho: educação de qualidade, abertura comercial e infraestrutura na receita do aumento da produtividade (Fotos Malu Marcoccia)

O Brasil esgotou um importante canal de crescimento, representado pela migração populacional para áreas urbanas e industrializadas, o mesmo que atualmente faz a China sobressair-se no mundo. O único meio que restou para a economia brasileira expandir é o aumento da produtividade, que viria por meio da qualidade da escolaridade, pelo empreendedorismo, por um mercado de crédito em que a sociedade financie a própria sociedade (e não o governo), além da abertura comercial para absorver tecnologias de fora.

“O Brasil tem economia fechada e esse pouco intercâmbio com o resto do mundo impede a absorção de tecnologias modernas, além de acomodar empresas nacionais pela falta de competição”, entende o economista Fernando Botelho, pesquisador e professor na USP (Universidade de São Paulo, além de fundador da TunEduc, empresa de informações e diagnósticos sobre educação. Botelho falou na série de palestras Metodista Convida na noite de 5 de setembro passado e desenhou cenário pouco animador para o Brasil sobre “Inovação, Produtividade e Crescimento Econômico”, tema de sua palestra.

Ele mostrou que essas três estacas estão interligadas na fórmula para o bem-estar de qualquer nação, mas que o País vem perdendo muitos dos bônus que conquistou até os anos 1980, quando a economia foi movida pela franca industrialização. Até a década dos 80, a produtividade de brasileiros e coreanos equivalia a 20% dos americanos. Em 2018, os brasileiros continuam nessa faixa e os coreanos já estão a 80% dos norte-americanos. “Em apenas quatro anos, de 2014 para cá, nosso PIB ficou 10% menor”, lamentou o economista.

Infraestrutura e educação

Os motivos para a estagnação da produtividade nas últimas quatro décadas vão desde a escassez de energia, concentração bancária que dificulta o acesso ao crédito e insegurança jurídica diante da instabilidade de leis como trabalhista e tributária, até crônicos problemas de infraestrutura viária e alto custo do transporte, bem como a baixa qualidade da educação. “A alta inclusão escolar promovida no final do século XX não impediu que 30% dos jovens sequer concluam o Ensino Médio, o que compromete a inovação”, apontou.

Fernando Botelho advertiu que o Brasil deve se mexer rapidamente porque a produtividade também está deixando de crescer em países desenvolvidos, os países periféricos emergem no cenário mundial, a destruição do meio ambiente limitará os recursos naturais em breve e a automação-inteligência artificial ameaçarão cada vez mais os empregos.

“Com a emergência da China, a pobreza caiu à metade no mundo nos últimos 40 anos. Mas aumentou a desigualdade dentro de países desenvolvidos da Europa e Estados Unidos, onde os ricos ficaram mais ricos e pobres praticamente se estabilizaram. China e Índia roubaram empregos da classe média americana”, descreveu.

Imitar e inovar

Como aumentar a produtividade? Com o esgotamento da urbanização da população, o economista disse que resta ao Brasil uma fórmula que combina aumento do capital fixo (mais ferramentas e condições de trabalho), qualificação do trabalhador com mais educação, um Estado em pleno funcionamento e sem burocracia tributária, além de infraestrutura fluída.

“Temos também que imitar, ou seja, copiar bem o que já funciona, como fizeram China e Japão, além de partir para a inovação genuína, ou seja, criar algo totalmente novo, como fizemos nos anos 1970 com o agronegócio do Centro-Oeste”, citou.

O economista e professor falou para turmas dos cursos de Ciências Econômicas e Ciência Contábeis e foi recebido pelo reitor Paulo Borges Campos Júnior. Professora Silvia Okabayashi, coordenadora do curso de Ciências Econômicas, mediou a mesa de debates. “Num momento em que o Brasil passa por acomodação política e econômica, é importante ouvir e refletir sobre o que nos disse Fernando Botelho”, afirmou o reitor.

Veja imagens do evento:

Metodista Convida, palestra com o economista e fundador da Tuneduc, Fernando Botelho

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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