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Retomada econômica não será imediata, calcula dirigente da Fiesp em palestra na Metodista

Cenário ainda é de incerteza e confiança deprimida, diz Guilherme Moreira, em noite que contou também com exposição sobre inovação tecnológica e IndústriaABC

01/09/2016 20h20 - última modificação 01/09/2016 20h25

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Guilherme Moreira, da Fiesp: cenário de confiança deprimida (Fotos Malu Marcoccia)

A incerteza política chegou ao fim com a votação do Congresso pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff, mas não garante fluxo imediato dos investimentos empresariais nem retomada instantânea da economia. A cautela ainda vai pautar os passos dos agentes econômicos, por isso a transição se estenderá e o crescimento será leve.

“Acabou o modelo de estímulo ao consumo e importações em massa que vigorou até 2009. O câmbio não está favorável para importar bens e a indústria nacional vai se deparar com fornecedores que fecharam portas ou desaceleram a produção”, aponta Guilherme Renato Caldo Moreira, gerente de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, que abriu o VII Simpósio de Economia da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 31 de agosto.

A hesitação da indústria em pisar no acelerador também decorre da falta de cenário no médio e longo prazo, pois o novo governo não deixou clara a política econômica. “Não fazer escolhas e não planejar é o pior dos mundos”, entende o dirigente da Fiesp-Ciesp, cuja palestra abordou “Perspectivas Econômicas para 2016-2017”.

Segundo Guilherme Moreira, a palavra-chave para o novo governo Michel Temer tirar a economia do ponto morto é confiança. “O cenário ainda é de incerteza e de confiança deprimida. Além da volta da inflação e do alto desemprego, quem está trabalhando comporta-se como desempregado, cortando consumo e gastos com bem-estar para prevenir-se quanto ao futuro próximo”, disse. A falta de crença nos rumos do País é o que explicaria a queda de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 e previsão de outra baixa de 3% neste ano, já que o desemprego na casa dos 14% não responderia sozinho por tamanha depressão econômica, segundo o economista.

O dirigente da Fiesp-Ciesp lamentou que um dano do atual cenário é a eliminação de empregos industriais e a migração da mão-de-obra para setores de menor valor agregado como comércio e serviços. Enquanto um trabalhador na indústria adiciona R$ 43,8 mil ao ano no PIB, no comércio esse agregado é de R$ 26,4 mil e nos serviços, de R$ 20,8 mil. A indústria participa cada vez menos do PIB, respondendo no ano passado por apenas 11,4% de tudo o que é movimentado na economia, contra 21,8% em 1985.

Inovação tecnológica

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Anapatrícipa, da UFABC: região tem que promover reconversão produtiva
O VII Simpósio de Economia da Metodista foi promovido pelo curso de Ciências Econômicas da Escola de Gestão e Direito em comemoração do Dia do Economista, transcorrido em 13 de agosto. Contou com patrocínio do Sicredi e apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

Outra palestrante da noite, Anapatrícia Morales Vilha, professora da Universidade Federal do ABC, falou sobre as limitações que o ABC paulista enfrenta para criar uma dinâmica intensiva em inovação tecnológica, a seu ver a grande saída para obter vantagem competitiva no mundo moderno, maior do que a mera redução de custos.

Depois de perder inúmeras industriais e multinacionais atraídas por um modelo equivocado (sem exigências de transferência tecnológica para o parque local), o ABC não desenvolveu interação entre atores como universidades, empresas, institutos de pesquisa e poder público, afirmou a professora da UFABC. Isso acarretou outras debilidades, como pequenas e médias empresas de tecnologia pouco densa e interesse reduzido dos municípios no tema da inovação. “Temos também ausência de lideranças políticas capazes de aglutinar os interesses desses diferentes atores”, citou Anapatrícia, que falou sobre “Indústria e Inovação Tecnológica no Grande ABC”.

Doutora em Política Científica e Tecnológica, a professora da UFABC apontou entre os desafios para a região a inserção em cadeias globais de valor para ampliar as exportações, avançar na criação de um polo tecnológico conjunto do Grande ABC e nos APLs (Arranjos Produtivos Locais), além de investir em novas apostas, no que ela chama de fazer uma reconversão produtiva. Setores que poderiam alavancar uma nova agenda econômica seriam petróleo e gás, defesa, saúde, componentes embarcados, ciências da vida como biotecnologia, além da economia criativa (entretenimentos, tecnologia da informação, plataformas digitais etc).

IndústriaABC

O evento  também sediou a apresentação do 3º Boletim IndústriaABC, uma parceria Metodista-Fiesp-CNI que faz recorte para o Grande ABC do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) apurado nacionalmente. A exposição foi feita pelo coordenador do Observatório Econômico, professor Sandro Maskio. Leia aqui. 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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