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Polarização política influencia diretamente no cenário econômico do Brasil, aponta especialista

Professor Carlos Kawall apresentou previsões e análises sobre a economia nacional

31/08/2018 20h55 - última modificação 05/09/2018 17h10

Economista-chefe do Banco Safra, professor Carlos Kawall foi o convidado do IX Simpósio de Economia

O IX Simpósio de Economia promovido pelo curso de Ciências Econômicas tratou este ano do cenário econômico brasileiro no biênio 2018/2019. O evento na noite de 30 de agosto passado teve como palestrante o economista-chefe do Banco Safra, professor Carlos Kawall Leal Ferreira.

Kawall abordou diversos fatores determinantes para a conjuntura econômica, compartilhando previsões e análises feitas a partir das variáveis que afetam a área, como o cenário internacional e as eleições presidenciais de 2018.

Tema bastante comentado pelos noticiários, a situação cambial do País é diretamente influenciada por esses dois fatores. “Observamos que desde abril o dólar tem ganhado força nos mercados internacionais de câmbio. O quanto vai subir aqui dentro depende da nossa situação econômica. No Brasil há um grau de incerteza maior do que em outros países, ligado à situação fiscal e ao quadro político”, disse.

Apesar da alta do dólar em relação ao real ter superado 20% em 2018, o economista considera a situação cambial do Brasil razoável diante do contexto mundial. “Não estamos nem entre os melhores nem entre os piores. Acredito que essa alta não vai se sustentar. Minha previsão para o final do ano é de que o dólar esteja em R$ 3,60”, revelou.  

O peso da polarização política no processo eleitoral é amplificado quando são considerados fatores como a dívida pública e as reformas trabalhista e previdenciária, fundamentais para a recuperação econômica do País, mas tratadas de maneiras divergentes pelos principais candidatos à Presidência. A previsão do economista é de que o dólar se mantenha alto até o final das eleições, quando a situação deve começar a se acalmar – fatores como crescimento da safra agrícola e preço das commodities de exportação (minério de ferro e petróleo, por exemplo) são indicadores dessa provável recuperação. 

 

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Evento foi realizado no Salão Nobre do campus Rudge Ramos
Retomada lenta

O ritmo do crescimento da economia brasileira, levando em conta o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre, é de menos de 1% ao ano, índice considerado baixo diante das quedas consecutivas entre o final de 2014 e 2016.

De acordo com o economista, em recessões passadas eram necessários, no máximo, cinco trimestres para recuperar o patamar econômico anterior. Na crise atual, o PIB se contraiu em oito semestres. “Somente no final de 2019 chegaremos ao nível de PIB que tínhamos no final de 2014, mas isso depende de crescermos 1,5% neste ano e 3% no ano que vem”, projetou.

Primeira área a ser afetada em períodos de recessão, a produção industrial começa a se recuperar a partir do setor automotivo, o que reflete diretamente no Grande ABC. Já o consumo, carro-chefe da economia nacional, encontra dificuldades de retomar o crescimento em áreas como varejo, vestuário e alimentos.
 

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Ao longo da palestra, professor Kawall apresentou diversos dados que apontam para tendências econômicas no Brasil
Mercado de trabalho

A lenta recuperação do consumo desses bens é explicada pelo alto índice de desemprego. O setor da construção civil, que tem grande impacto como empregador, ainda se contrai como reflexo dos problemas de infraestrutura enfrentados no Brasil.

Segundo o palestrante, o modelo de privatizações adotado pelo Estado, baseado em direcionar grandes obras de infraestrutura para empreiteiras, enfrenta problemas com a justiça, o que gera grande retração no setor. “Operadores estrangeiros olhavam com desconfiança para o Brasil. Só agora as licitações de aeroportos e leilões de petróleo passam a atrair players internacionais”, explicou o economista.

Diversos outros fatores devem ser considerados quando se fala no tema. As taxas oficiais só consideram como desempregados aqueles que estão procurando trabalho assiduamente. Os números do governo desconsideram, por exemplo, quem desistiu de buscar uma oportunidade após muitas negativas, os chamados desalentados. Isso gera uma série de outros problemas, a exemplo da perda de mão de obra qualificada, que com o excesso de tempo fora do mercado acaba perdendo capacidade e valor.

O professor ainda tratou de temas como endividamento das famílias e de empresas, inflação, carga tributária e despesas da União, este último considerado o grande gargalo econômico brasileiro. Apesar das dificuldades, ele se diz esperançoso em uma recuperação. “Meu otimismo vem do fato de que pela primeira vez temos uma eleição em que se está discutindo a reforma da Previdência. Não estou dizendo que todos pretendem fazer a mesma reforma, mas essa palavra não é mais um tabu”, destacou.


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