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Palestra explica crise econômica brasileira por diferentes correntes de pensamento

Em apresentação no VIII Simpósio de Economia, professor Júlio Pires traçou um panorama da recessão que atinge o País

29/08/2017 17h10 - última modificação 29/08/2017 17h13

Professor Júlio Pires em palestra no VIII Simpósio de Economia

Na noite do último dia 23 de agosto, o Salão Nobre do campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo foi sede do VIII Simpósio de Economia. Promovido pelo curso de Ciências Econômicas, o evento teve como um de seus objetivos a realização de debate sobre a conjuntura econômica nacional.

Destinado aos alunos e professores do curso, além de empresários e entidades da região do ABC, o Simpósio contou com apoio institucional de Corecon-SP, Cofip, Braskem, Sebrae e Repórter Diário. As atividades também fizeram parte das celebrações do Dia do Economista.

Júlio Pires foi um dos palestrantes da noite. Docente do Departamento de Economia da FEA-RP/USP e professor titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia Política da PUC-SP, o professor traçou um panorama da economia brasileira e fez um diagnóstico da crise atual de acordo com duas das principais correntes de pensamento da área.

Ortodoxos e heterodoxos

A análise de questões ligadas à economia pode ser feita de acordo com diferentes linhas teóricas nas quais os especialistas acreditam. Cada uma delas oferece visões a partir de um conjunto de ideias. A parte inicial da palestra do professor Júlio Pires no VIII Simpósio de Economia traçou um panorama a respeito de dois grupos que pensam a economia: os ortodoxos e os heterodoxos.

Em linhas gerais, os economistas ortodoxos têm tendência liberal, acreditam na ineficiência dos Estado de estabelecer as políticas que norteiam o setor e creem no poder do mercado como principal elemento, além de considerarem fundamental a questão da oferta.

Já os heterodoxos não confiam na força de mercado como principal baliza para as políticas econômicas e acreditam na intervenção significativa do Estado na economia para garantir melhor índices, impor o bem comum e focar na demanda como principal questão.

Júlio Pires pontua que as duas correntes apresentam visões opostas e, mesmos diante de algumas diferenças internas, possuem bases ideológicas sólidas. O decente acredita que as visões não são excludentes e fazer juízo de valor sobre elas é um erro científico e acadêmico, sendo necessário o entendimento de ambos os lados para que possa se compor análises mais completas.

Avesso a posições preconceituosas sobre as linhas de pensamento, o professor fez uma sugestão aos alunos presentes, futuros profissionais da área. “O economista deve conhecer todas as ferramentas, todas as teorias e visões econômicas, sejam elas ortodoxas ou heterodoxas, de origem marxistas, keynesiana ou liberal. Assim, a partir do problema que o economista se propõe a analisar, ele pode usar o conteúdo que julgar adequado”, explicou Júlio Pires.

Crise econômica: origens e saídas

“A crise brasileira é uma das maiores dos últimos 100 anos. Não há exagero em dizer isso”, afirma o palestrante, que justifica a posição com um conjunto de dados que indicam a piora de índices como PIB (Produto Interno Bruto), renda per capita, déficit fiscal, taxa de desemprego, entre outros.

A palestra buscou uma análise isenta da crise econômica brasileira de acordo com os pontos de visto dos ortodoxos e dos heterodoxos. A fala do docente foi de apresentação das origens da recessão e das perspectivas de soluções sob o ponto de vista dos dois grupos.

Sobre os motivos da crise, Júlio Pires explica que, do ponto de vista dos ortodoxos, o início do problema se deu no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) com a substituição de Antonio Palocci por Guido Mantega no Ministério da Fazenda, em 2006. Os economistas dessa linha de pensamento acreditam que a gestão de Palocci garantia a estabilidade, austeridade fiscal e crescimento a longo prazo para o Brasil. Com Mantega, as políticas macroeconômicas foram flexibilizadas e pioraram durante o governo de Dilma Rousseff (2011 -2016) com a reduções sequenciais das taxas de juros básicas e as tentativas insuficientes de aumentar os níveis de investimentos. A crise internacional de 2008 também é considerada um fator bastante prejudicial para as finanças do País.

Os heterodoxos têm posição diferente a respeito dos nomes responsáveis pelo Ministério do Planejamento no governo Lula. Os economistas enxergam o período como excelente em relação às políticas macroeconômicas adotadas, sobretudo nos primeiros anos da gestão de Guido Mantega. De acordo com essa corrente, os problemas tiveram início com o corte significativo do nível de investimentos no primeiro momento do governo Dilma, ação considerada ortodoxa e que freou o ciclo virtuoso de Lula. Somado a esses fatores, cabe também destacar os efeitos da crise mundial, sobretudo a partir de 2011, além da recessão europeia e a desaceleração da economia chinesa.

Em relação aos caminhos para o Brasil superar a crise econômica, a solução ortodoxa aponta para o aprofundamento o ajuste fiscal, com controle de gastos, condições consideradas necessárias e que também incluem ações como a aprovação das reformas da previdência e trabalhista. A política de privatizações e concessões públicas também são colocadas como essenciais.

A saída para a recessão econômica pelo viés heterodoxo passa pela interrupção da política de ajuste fiscal e controle de gastos públicos praticada atualmente pelo governo vigente de Michel Temer. A retomada dos investimentos públicos, a redução da taxa básica de juros e a aposta em políticas de distribuição de renda também formam o conjunto de ações para driblar a crise.

Valorização da profissão e cenário local

O VIII Simpósio de Economia também contou com a palavra de do professor Paulo Borges Campos Jr., reitor da Universidade Metodista de São Paulo. Economista de formação, ele falou sobre a necessidade de se valorizar cada vez mais a profissão, fundamental para pensar as políticas públicas do Brasil.

Luiz Carlos Barnabé, vice-presidente do Corecon-SP, também fez pronunciamento em que destacou a presença de empresários e jornalistas no evento e celebrou o fato da universidade abrir suas portas para a discussão de temas relevantes para a sociedade tendo a economia como centro das reflexões.

Já Ailton José de Lima, Secretário de Desenvolvimento e Geração de Emprego de Santo André, palestrou sobre os impactos da conjuntura econômica nacional na região ABC. Na fala, ele também abordou os projetos e ações desenvolvidos pela cidade em sua pasta.

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