Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Ciências Econômicas / Notícias / Cenários contraditórios não avistam saída para estagnação mundial, afirma especialista da PUC

Cenários contraditórios não avistam saída para estagnação mundial, afirma especialista da PUC

Juros baixos e alta poupança, estagnação nas economias desenvolvidas e crescimento só asiático são situações jamais vistas

20/10/2016 16h20

Há épocas em que o mundo cresce de forma relativamente homogênea, impulsionado pelas economias centrais. Há épocas em que nenhuma economia está por cima, pois todas enfrentam algum grau de crise também puxadas pelos países desenvolvidos. O cenário atual, entretanto, reúne situações originais como um polo de crescimento acelerado especificamente na Ásia, assim como fenômenos já conhecidos e que se espalharam pelo mundo, a exemplo da estagnação econômica do Japão desde os anos 1990 e que contaminou boa parte da Europa e Estados Unidos.

“O mundo hoje tem tantas complexidades, que não foi possível resumir o tema de minha palestra”, brincou Carlos Eduardo de Carvalho, professor associado da PUC-São Paulo (Pontifícia Universidade Católica), que falou ao curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista na noite de 19 de outubro sobre “Economia internacional atual: juros baixos ou negativos, liquidez abundante, estagnação, dificuldades de diagnóstico, mudanças nas ideias econômicas e desafios”.

CienciasEconomicasEconomiaInternacionalOUT2016.jpg
Mundo vive confusão enorme, diz especialista em economia financeira e internacional
Poucas vezes cenários tão diferentes se cruzaram na economia e criaram armadilhas das quais os países não conseguem sair. Professor Carlos Eduardo, especialista em Economia e Relações Internacionais, principalmente em Economia Monetária e Financeira, citou como exemplo os inusitados juros baixos dos EUA (de 0,25% para curto prazo) que perduram por oito anos. Também mencionou os juros negativos no Japão e na Europa ou de 0,7% na Alemanha e 1,5% na Inglaterra (de longo prazo) como fator que, em vez de estimular o consumo, aumenta a poupança das pessoas.

 

“Já existem bancos que não aceitam depósitos de grandes investidores porque não têm o que fazer com eles”, apontou, acrescentando que vários Bancos Centrais, para não agravar o excesso de poupança e liquidez que há no mundo, pararam de emitir títulos de longo prazo desde a crise financeira de 2008 provocada pela bolha imobiliária dos EUA.

“Mas essa política não criou a inflação que queriam. O Japão chegou a declarar como meta de governo gerar inflação de 2% ao ano para ver se estimulava pessoas a consumir e a movimentar a economia, em vez de só guardar dinheiro”, descreveu.

Outro caso raro na economia mundial é o que se passa na Venezuela. Há dois anos o país sobrevive com taxa oficial cambial de 10 bolivares e real de 10.000 bolivares graças à exportação de petróleo e empréstimos chineses, mesmo com todo o desabastecimento interno de mercadorias. “Nunca vi algo assim”, surpreende-se Carlos Eduardo de Carvalho, que é também membro do Departamento de Economia e Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC).

Pensões ameaçadas

O professor enxerga algumas bombas armadas pela frente: os baixos juros internacionais comprometem os fundos de pensão (que precisam aplicar recursos no mercado financeiro para garantir a aposentadoria de uma população que vive cada vez mais) e os próprios bancos comerciais, que não conseguiriam sobreviver com pequenos spreads (diferença entre o que ganham captando dinheiro de investidores e emprestando a clientes).

Segundo ele, trata-se de situação ameaçadora e de resultados desconhecidos, já que essas instituições financeiras podem seguir pelo mercado especulativo ou de risco, apostando em bolsas, commodities, petróleo e derivativos. Foram os derivativos hipotecários dos EUA a mãe da crise bancária que abateu o mundo a partir de 2008.

Professor Carlos Eduardo de Carvalho não arriscou uma solução para a tendência de estagnação do comércio internacional e da economia. Acredita, porém, que uma das origens da crise atual está na não-solução do que ele chamou de “zumbi financeiro” estocado nos bancos. Japão nos anos 1990 e EUA no final da década de 2000 resolveram suas crises com emissão gigantesca de moeda e socorro aos bancos e empresas, mas não houve queima da dívida antiga, ou seja, desvalorização do passivo que ficou após a supervalorização de ativos como imóveis e ações.

“O crédito no Japão representava 100% do PIB na década dos 90, mas 30% estocados nos bancos não foram resolvidos até hoje. As empresas não pagam o que devem e os bancos não podem cobrar, criando esse zumbi que explica a estagnação prolongada do Japão”, citou. Outra explicação para o capital estocado nos bancos estaria no fenômeno das novas empresas de tecnologia que crescem sem endividamento, ou seja, sem recorrer a instituições financeiras, que não conseguem, assim, queimar esse estoque antigo.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
Conheça Outras.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: , , , , , , ,

SILVIA OKABAYASHI - COORDENADORA

silvia.jpg

Veja o minicurrículo


 

ci├кncias-econ├┤micas.jpg

Receba informações de oferecimento sobre esse curso: