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Balança comercial reage, mas cenário regional ainda é de expectativa, aponta 14º EconomiABC

Ainda há baixa intenção de investimentos, além de incertezas no campo político devido às ações da Lava Jato

26/04/2017 18h55 - última modificação 27/04/2017 15h41

(imagem pixabay.com)

A melhora da corrente de comércio exterior (importação + exportação) do Grande ABC no primeiro trimestre de 2017 indica lenta retomada da atividade produtiva, embora o mercado de trabalho, a produção industrial e as vendas do comércio ainda apresentem sinalizações negativas. Com o melhor resultado para o primeiro trimestre desde 2008, ou seja, em quase uma década, os primeiros três meses de 2017 apresentaram superávit de US$ 336,1 milhões na balança comercial, aumento de 14,9% em relação ao mesmo trimestre de 2016, combinado com alta das importações (10,9%) e das exportações (12%).

Porém, com o aumento da taxa de desemprego para 17,5% da PEA (População Economicamente Ativa), o nível de salário real dos trabalhadores da região é o menor desde 2010, revela o Boletim EconomiABC em sua 14ª edição, estudo produzido pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo. Mais do que no País, o indicador iABC  aponta retração no PIB regional de 5% em 2015 e de 8,4% em 2016 (para queda de 3,8% e 3,6%, respectivamente, na economia brasileira).

“Se de um lado as propostas de reformas do governo têm por objetivo estimular a atividade econômica, a melhora da percepção de confiança dos empresários ainda não se traduziu em ampliação da atividade de fato. Após dois anos de forte retração, a expectativa é de que em 2017 a economia apresente resultado melhor, porém o cenário é de estagnação ou, no máximo, de baixíssimo crescimento”, comenta o coordenador do Observatório Econômico, professor Sandro Maskio.

A expansão das exportações no primeiro trimestre de 2017 reflete demanda internacional pelos produtos produzidos na cadeia industrial da região, mesmo com trajetória de valorização do real. Em 2014, 2015 e 2016 as exportações haviam amargado queda de 17,9%, 28,4% e 20,8%, respectivamente.

Baixo investimento

Mesmo com a inflação anualizada de 4,37% em março estando abaixo do centro da meta (de 4,5%), o que contribuiria para reduzir incertezas e melhorar o ambiente econômico, ainda há grandes tarefas para recolocar a economia em rota de retomada e sólido crescimento. Isso porque há baixa intenção de investimentos dos empresários locais, que trabalham com grande capacidade ociosa e com lacunas nas políticas públicas regionais, além das incertezas no campo político nacional com as ações do Judiciário e da operação Lava Jato em torno do combate à corrupção, detecta o Boletim EconomiABC.

A taxa de desemprego de 17,5% da PEA no ABC é comparável à de 12 anos atrás. Entre 2012 e 2016, a indústria de transformação perdeu mais de 64 mil postos formais de trabalho na região. O setor de serviços também registrou forte perda de empregos, com queda de mais de 16,5 mil postos entre 2015 e 2016. No primeiro trimestre deste ano o saldo de geração de empregos formais foi negativo, com registro de menos 4.991 postos de trabalhos, cerca de metade das perdas ocorridas no mesmo período de 2016.

O salário real de janeiro deste ano, deflacionado pelo ICV/SEADE, é cerca de 15% menor que o vigente em janeiro de 2015. Fato explicado pelo aumento da competição no mercado de trabalho, menor demanda por mão-de-obra por parte do setor produtivo, menor faturamento e menor disposição das empresas em custear salários. Nos últimos 12 meses a massa de rendimento dos trabalhadores ocupados diminuiu 9,5%, um ponto percentual acima do final de 2016.

“A atual retração do mercado de trabalho não deverá se recuperar tão cedo. Em geral, o nível de emprego é um dos últimos indicadores a melhorar quando há retomada da atividade produtiva. Já a recuperação do poder de compra dos salários levará tempo ainda maior e estará sujeita também às transformações a serem concretizadas com mudanças na legislação trabalhista em debate no governo federal”, comenta professor Sandro Maskio.

O volume de operações de crédito no ABC paulista, após breve salto em 2015, apresentou significativa retração em 2016, com forte impacto no setor de comércio, visualizado pelo volume de demissões no setor. Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, as operações de crédito recuaram 13,8% junto às pessoas jurídicas e 1,36% junto às pessoas físicas no Brasil. No Grande ABC, nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o volume de operações de crédito diminuiu 31,8%, somando pouco mais de R$ 28,6 bilhões. As operações de financiamento imobiliário tiveram pequeno recuo de 0,40%. No mesmo período, o volume de recursos depositados em poupança no Grande ABC diminuiu de R$ 15,72 bilhões para R$ 14,89 bilhões, redução de aproximadamente 5,3%.

Leia a íntegra do 14º EconomiABC.

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