Ferramentas Pessoais

Você está aqui: Página Inicial / Ciências Econômicas / Notícias / Cooperativas já envolvem 15% da população mundial

Cooperativas já envolvem 15% da população mundial

Em palestra no VI Simpósio de Economia, Jaime Basso mostrou o crescimento do setor

19/08/2015 18h01

No lugar de acionista, associado. Em vez de lucro, sobras. E clientes não são meros consumidores, mas pessoas. Os números provam que, se as cooperativas ainda não são a menina-dos-olhos dos investidores em geral, tampouco foram riscadas do mapa de quem quer aplicar ou aderir a esses empreendimentos coletivos. Já são 1 bilhão de associados em mais de 100 países, ou 15% da população mundial. Em algumas nações o espectro se excede: 40% no Canadá, 30% nos EUA e Japão, 25% na Alemanha e 70% no sistema financeiro da França. Na China são 200 milhões de associados, ou um Brasil inteiro.

“Desde os animais até grandes corporações, entre famílias e no ambiente de trabalho, está provado que trabalhar em grupo dá mais resultado. Pessoas juntas enfrentam com mais facilidade as dificuldades”, resume o presidente da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Vale do Piquiri (ABCD/PR/SP), Jaime Basso, que falou dia 18 passado no VI Simpósio de Economia da Universidade Metodista sobre “Cooperativismo, uma alternativa de organização da sociedade”.

Sob vários ângulos, o sistema mostra vantagens em relação às formas convencionais do capitalismo. Pessoas com objetivos comuns se unem e constituem uma empresa de caráter social para produzir ou adquirir bens, ou mesmo para financiar outros negócios, como é o caso das cooperativas de crédito. As obrigações são divididas igualitariamente entre os membros-proprietários, cada associado equivale a um voto e as sobras são reinvestidas no negócio ou distribuídas de forma equivalente -- diferente das sociedades anônimas, onde nem sempre o acionista é proprietário, o voto é proporcional à cota de cada sócio e fins lucrativos determinam o negócio, para o lucro ser distribuído correspondente à parte de cada um.

Associação de gente

“Somos uma associação de gente, onde pessoas são mais importantes que resultados, e não uma sociedade de acionistas”, resume Jaime Basso, que é também vice-presidente da cooperativa de crédito Sicredi (PR/SP/RJ) e acumula experiências e missões de estudos cooperativistas em várias partes do mundo.

Sete princípios movem as cooperativas, cujo início remonta a tecelões ingleses do século 18 que se uniram para ser respeitados e montaram uma poupança em comum para adquirir bens de consumo. O primeiro princípio do cooperativismo é a adesão voluntária e livre, seguindo-se: gestão democrática e livre, formação coletiva do capital, autonomia e independência (controlada só pelos cooperados), educação e formação profissional, intercooperação (trabalhos conjuntos entre cooperativas) e interesse pela comunidade. Segundo Jaime Basso, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, que vai de 0 a 1) é maior onde há experiência de associativismo: 0,70, contra 0,66 em locais sem cooperativas.

Como bancos

No Brasil os números do setor são mais modestos, porém expressivos: 6% da população está associada em cooperativas. São 12 milhões de associados e 30 milhões de beneficiados. “Há muito a crescer”, aposta Jaime Basso, que discorreu mais especificamente sobre seu ramo de atuação, as cooperativas de crédito. Esse segmento tem regulamentação extra do Bando Central (lei 5764/71) e em 2014 também ganhou seguro garantidor de crédito semelhante aos bancos, que dá cobertura até R$ 250 mil para investidores.

Cooperativas de crédito prestam os mesmos serviços do sistema financeiro (empréstimos, cartões de crédito, conta corrente, seguros, consórcio, banco24horas etc) com o atrativo de operarem a taxas menores porque não visam ao lucro e têm propriedades como isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e do recolhimento do depósito compulsório ao Banco Central. Um empréstimo na instituição Sicredi custa 3,8% ao mês, para 4,9% em média do mercado, exemplificou Jaime Basso. Pelo menos 45% dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros sediam uma cooperativa de crédito, que somadas exibem R$ 201 bilhões em ativos, ou o 6º lugar no ranking dos bancos no Brasil.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
Conheça Outras.

Comunicar erros


Leia mais notícias sobre: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

SILVIA OKABAYASHI - COORDENADORA

silvia.jpg

Veja o minicurrículo


 

ci├кncias-econ├┤micas.jpg

Receba informações de oferecimento sobre esse curso: