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Economista acha que governo deve aumentar gasto público para impulsionar o PIB

Professora da UFABC falou no X Seminário de Economia do curso de Ciências Econômicas

12/09/2019 21h45 - última modificação 27/09/2019 20h08

Professora Patrícia Cunha falou no X Seminário de Economia do curso de Ciências Econômicas

Mesmo com o quadro crítico das contas públicas federais, que desde 2014 registram déficit, o governo deveria flexibilizar o teto de gastos limitados à inflação e injetar dinheiro na economia, sob pena de inviabilizar o País. No melhor estilo do keynesianismo, a economista e docente Patrícia Helena Cunha acha que nada justifica a austeridade e o medo de gastar demonstrados no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2020 recém-enviado ao Congresso, que contempla pouco dinheiro para investimentos e custeio da máquina da pública.

“Essa austeridade está gerando danos a uma economia que reage muito lentamente depois da queda de 2015 e 2016. Deveria aumentar não qualquer gasto, mas o gasto de investimento, ajudando o PIB a ter algum impulso além do 1%”, disse a professora de Economia e de Ciências e Humanidades da UFABC (Universidade Federal do ABC), que falou no X Simpósio de Economia da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 11 de setembro.

Segundo expôs, o setor privado não tem fôlego para ocupar o lugar deixado pelo poder público nos investimentos pois está com capacidade ociosa, ao mesmo tempo em que o alto desemprego e o endividamento das famílias impedem o aquecimento da demanda e da produção. “A produção industrial não se recupera desde 2010 e o investimento na casa de 15,8% do PIB brasileiro é um dos mais baixos do mundo”, citou.

Orçamento engessado

Emenda à Constituição (95/2016) limita por 10 anos os gastos federais ao valor da despesa de 2016, corrigida a cada ano apenas pela inflação. O orçamento federal está engessado pelas despesas obrigatórias como salários, aposentadorias, educação e saúde - que o governo é obrigado por lei a executar - e que consumirão 94% das receitas em 2020.

A previsão de receita é de R$ 1,644 trilhão (ou R$ 1,355 trilhão após o repasse para Estados e Municípios). As despesas previstas somam R$ 1,479 trilhão, ou seja, as contas fecharão no vermelho em até R$ 124,1 bilhões. Para este ano, o déficit previsto é de R$ 139 bilhões. Para as chamadas despesas discricionárias, em que o governo tem certa liberdade de remanejamento, em 2020 serão apenas R$ 89 bilhões, ou 6% do orçamento.

“Não sou contra regras, mas os cortes têm que ser funcionais, para criar confiança e expectativas otimistas. O governo Dilma (Rousseff) foi desastroso e gastador; porém, a atual austeridade penaliza a economia”, reforçou Patrícia Helena Cunha, discordando de correntes que acham que qualquer alteração do teto de gastos traz riscos associados como descontrole ainda maior das contas públicas, volta da inflação, aumento dos juros reais e, consequentemente, do custo de financiamento da dívida pública.

Ela argumentou que na crise financeira mundial de 2008, com a quebra dos bancos americanos devido às hipotecas imobiliárias, a maioria dos governos, inclusive os EUA, reagiu com liberalidades nos orçamentos, baixando juros, injetando crédito na economia, câmbio flutuante e outras formas de estímulo.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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