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Biólogo do Butantã explica a inteligência e a utilidade das aranhas

Café com Ciências trouxe o especialista Rafael Lucena

18/11/2019 19h00 - última modificação 18/11/2019 19h14

Café com Ciências trouxe o especialista Rafael Lucena, ao centro de branco

Pequenas e que inspiram aversão aos humanos, as aranhas estão entre os seres “mais inteligentes” da Terra, seja pelas estratégias para imobilizar insetos dos quais se alimentam, seja pela complexidade de tecerem teias arquitetonicamente simétricas e com um dos materiais mais resistentes do mundo.

“Se houvesse um último bolsão de oxigênio na Terra, eu deixaria para as aranhas. São seres que reconstruiriam o planeta sem dificuldade”, falou o biólogo Rafael Lucena Lomazi no Café com Ciências da Universidade Metodista de São Paulo, promovido pelo curso de Ciências Biológicas na noite de 14 de novembro.

Estudioso e “apaixonado” pelos arachinídeos, um dos primeiros tabus que procurou desfazer foi sobre a letalidade das aranhas: apenas duas espécies de caranguejeiras (Atrax e Hadronyche) são perigosas para o homem, mas vivem na Oceania. O Brasil abriga três espécies perigosas, mas cujo veneno nem sempre é mortal ao homem: a viúva negra (que habita a Amazônia), a aranha armadeira (adaptada em regiões litorâneas) e a marrom (que vive no Sul do País).

“A imensa maioria é inofensiva. Causam no máximo irritação na pele. Parecem que são agressivas porque algumas pulam para se locomover e por causa da grande quantidade de pernas e pelos no corpo, que as deixam com aparência não agradável”, descreveu o biólogo, explicando que os pelos são justamente os principais sensores das aranhas, por onde sentem o ar, odor, escutam e até enxergam. Também falou da colaboração das espécies ao meio ambiente, já que impedem a proliferação de insetos ao se alimentarem principalmente de baratas e grilos.

556 venenos

Uma das características que deixou Rafael Lucena encantando com esses seres foi descoberta em seu mestrado na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Ele pesquisou o veneno da aranha amarela gigante e encontrou nada menos que 556 proteínas diferentes, cada qual letal para apenas um tipo de presa (inseto). Antes disso, num trabalho de iniciação científica sobre células reprodutivas, surpreendeu-se com um dos menores números de cromossomos entre as espécies.

“São seres incríveis. Só reagem ou atacam insetos para sobrevivência e reprodução”, afirmou, citando que os pelos são soltos do corpo como mecanismo de defesa.

Um sinal do pensamento complexo das aranhas estaria, a seu ver, no material da teia, produzida por uma proteína que torna o fio insolúvel ao ser excretado do corpo, semelhante a um fio de aço ou nylon muito resistente e ao mesmo tempo flexível. Várias correntes científicas já identificaram sua utilidade para confecção de coletes a prova de balas e para-choques, além de possíveis utilizações farmacêuticas.

Funcionário do Instituto Butantã, Rafael descreveu também espécies que deixam fio-guia pelo caminho para voltarem em caso de se perderem. E mostrou como a renovação da teia é feita diariamente, à noite, por meio da ingestão da própria teia. “Algumas teias são feitas na forma de laço, que a aranha utiliza com movimentos de um autêntico caubói, e outras espécies vão até a teia de outras aranhas, simulam terem ficado presas e canibalizam as rivais como forma de sobrevivência”, contou.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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