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Contribuições das Ciências Sociais ao estudo da Comunicação estão em livro de José Marques de Melo

24/09/2014 20h10 - última modificação 24/09/2014 20h10

Este volume conta com a participação de professoras da Metodista, como Marli dos Santos e Sônia Jaconi / Crédito: Reprodução

As contribuições de pesquisadores das Ciências Sociais como Luis da Câmara Cascudo, Florestan Fernandes e Paulo Freire aos estudos da Comunicação estão presentes em textos escritos por eles e selecionados pelo coordenador da Cátedra UNESCO/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, professor José Marques de Melo, para o primeiro volume livro do “Pensamento Comunicacional Brasileiro – O legado das Ciências Humanas: História e sociedade – Volume 1”, da Editora Paulus.

Lançado neste segundo semestre de 2014, esse primeiro livro faz parte de uma trilogia que, reunida, terá mais de “1500 páginas”. Organizada por Marques de Melo e pelo professor Guilherme Moreira Fernandes, a publicação é estruturada tendo como base um texto de um determinado pesquisador, introduzido através de análise realizada por um outro pesquisador , fornecendo o contexto no qual aquele trabalho foi realizado e ao final, outro pesquisador analisa e explica o artigo.

Leia a seguir entrevista realizada com o professor José Marques de Melo sobre os objetivos que o levaram a reunir estes trabalhos das Ciências Sociais, o que contribuem para o estudo da Comunicação e quais serão os próximos temas a serem abordados nos volumes seguintes

Agência de Divulgação Científica: Qual foi o critério para a escolha dos textos-base que foram analisados neste livro?
Prof. José Marques de Melo: O critério básico foi o de relevância em relação ao tema tratado. Dividi está obra em três tomos: o primeiro trata sobre História e Sociedade, outro que vai tratar sobre Cultura e Poder e o terceiro que vai tratar sobre Consumo e Mídia.
Então, fui selecionando os textos de acordo a com especificidade de cada um deles. Na verdade, esse livro é uma missão que eu tinha há muitos anos de escrever uma história do pensamento comunicacional brasileiro a partir dos cientistas sociais. Então, eu separei os textos que vinha trabalhando há muito tempo e selecionei alguns que considero fundamentais. Esses textos, em grande parte, eu já usei em minhas aulas. Eu selecionei os textos, em primeiro lugar, para dar uma visão integral das principais disciplinas: História, Sociologia, Política, Economia, Filosofia... fui Fui selecionando aqueles textos que me pareciam mais interessantes por causa da organização. Mas é muita coisa. São muitos autores. Tive que usar o “bisturi” e separar aqueles que são mais acessíveis. Mas não é fácil, pois são todos textos clássicos e como textos clássicos, de modo geral, são muito venerados. Então, o que eu fiz foi o seguinte, cada texto desse foi lido por uma pessoa que fez uma introdução de natureza biobibliográfica, explicando a natureza do texto, a sua localização no tempo e ao final de cada parte tem uma espécie de “pot-pourri” metodológico. De modo geral, um professor trabalha com aquele material do ponto de vista da epistemologia e o outro da pedagogia, porque pensei assim, exatamente, como fonte das para as novas gerações.

Agência: O que representam para Comunicação os autores como Câmara Cascudo?
Marques de Melo: Eu acho que eles representam a dimensão que nem sempre as faculdades estão preocupadas com ela. Diria o seguinte, que a maioria das escolas forma as novas gerações sem dar conhecimento a elas da contribuição das Ciências Sociais. Aquelas mais tecnicistas ou mais teóricas não fazem o link a com a sociedade brasileira. Se você ver tem faculdade que dão muita prioridade aos autores estrangeiros, aqueles que lá botaram muito nas Teorias da Comunicação, mas aqui no Brasil não dá para você analisar uma sociedade complexa como a nossa sem levar em consideração a contribuição dos cientistas sociais. Desde o final do século XIX que eles estão preocupados com isso. Fui encontrando textos, selecionando e depois eu vi que não ia dar conta de tudo, então, está dando uma obra de três volumes e quase 1500 páginas e ainda falta alguma coisa aí.

Agência: Como o senhor acredita que este trabalho em três volumes contribuirá para o estudo da Comunicação?
Marques de Melo: Acredito que ele vai preencher uma lacuna que existe hoje nas faculdades de comunicação. O aluno passa de um ano para o outro sem conhecer estes autores e sem ler os textos que eles escreveram. No caso de jornalismo, isso é inadmissível, porque o jornalista precisa conhecer bem os autores do seu tempo e da sua época. Também posso levar em consideração que nem todas as faculdades possuem bibliotecas suficientes, então, esses livros vêm suprir essa ausência de biblioteca especializada. São textos clássicos que desapareceram do mercado e ninguém de modo geral se preocupa em guardar os textos. Outra coisa importante para a história da comunicação é que esses autores não são da nossa área, mas eles pensaram a nossa área tanto quanto a gente pensa do ponto de vista processual. Você pega, por exemplo, Câmara Cascudo, que talvez seja o mais interessante deles, ele tem uma visão de comunicação que é surpreendente. Gilberto Freyre, a mesma coisa. Você vai encontrar aí autores como Sérgio Buarque de Holanda. Outra coisa que eu gostaria de chamar atenção é não que tem só autores brasileiros. Eu também selecionei textos de autores estrangeiros que viveram no Brasil. O caso mais interessante neste volume é o Emilio Willems, alemão que venho veio cedo para trabalhar em Blumenau, Santa Catarina e depois veio para São Paulo e aqui se fixou.

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