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Enfrentar mitos é um dos desafios da novata neurociência, alerta estudioso em aula na Biomedicina

Neurocientistas começam a interagir com outras áreas como educação e marketing

08/02/2018 19h30

Para Luiz Santana, outros desafios são entender o cérebro de animais e lidar com a inteligência artificial

Mesmo presente nos tempos da Grécia antiga, o estudo da mente e do cérebro é muito recente diante da história secular das ciências: só se profissionalizou e ganhou ares científicos com o surgimento das sociedades de neurociências, a primeira em 1960, a International Brain Research Organization. Vieram depois a Society for Neuroscience em 1969 e, no Brasil, a Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento, somente em 1976. Por isso mesmo, a investigação do sistema nervoso tem muito a avançar e derivar para novas profissões, além de enfrentar muitos desafios, entre os quais os “neuromitos”.

“Justamente porque é nova e tem muitos campos a explorar, a área é dominada por mitos como o de que usamos só 10% do cérebro ou de que temos trilhões de neurônios”, afirma o psicólogo e mestre em Neurociência e Cognição Luiz Henrique Santana, que falou na abertura do ano letivo do curso de Biomedicina da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 7 de fevereiro. Ele abordou a fundação recente das neurociências dividindo as histórias do cérebro em “História das ideias, História das ciências e História da disciplina”.

Combater os “neuromitos” é fundamental diante da velocidade como a neurociência mudou a forma de o ser humano lidar com ele mesmo e com seu corpo, já que se descobriu como o cérebro integra raciocínio e emoção. Daí o neurocientista estar avançando como interface com outras áreas como educação, equipamentos e profissionais biomédicos e até no neuromarketing, estudando o comportamento do consumidor.

Como entender o cérebro?

“As tecnologias digitais tornaram mais presentes em nosso cotidiano as redes neurais e os sistemas inteligentes”, afirmou o professor Luiz Santana, que, apesar de citar os avanços recentes da eletroencefalografia, tomografia e ressonância magnética, acrescentou que há ainda perguntas sem respostas: como construir o cérebro, como entendê-lo, como lidar com animais não-humanos (cães, por exemplo, mostram-se seres conscientes e criativos), como lidar com Inteligência Artificial e como pensar o comportamento além do cérebro?

Enquanto as respostas não vêm, já se sabe que é lenda o uso de só 10% da capacidade cerebral, já que estudos mostram que grande parte do cérebro é utilizada. Mesmo quando se acredita que a pessoa não está fazendo nada, o cérebro trabalha controlando funções como respiração, atividade cardíaca e memória. Sobre os neurônios (células que se encarregam de nos fazer pensar), a conta mais recente de estudos científicos chega a 86 bilhões nos humanos e mostra que, ao contrário do que se imaginava, há vários tipos diferentes. Estuda-se agora quais são essas variáveis para prevenir e tratar doenças como esquizofrenia, parksinson etc.

Também colaborador do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, professor Luiz Santana historiou a neurociência desde quando a mente era associada à alma ou ao coração, depois à emoção, ao meio ambiente até chegar ao sistema nervoso e às sinapses (comunicação das células), já que apenas de um século para cá é que surgiram instrumentos para estudar seres vivos. Até então só eram observados cadáveres. A narrativa começou com Crísopo, passou por Galeno, Paracelso, Vesalius, Descartes, La Mettrie e culmina nos tempos mais modernos com Hermann von Helmholtz, Santiago Ramon-Cajal, Karl Lashley, Donald Hebb e Brenda Milner, esta última inaugurando o estudo da memória.

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