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Economia regulada causa déficit fiscal histórico na América Latina, debate Seminário Brasil-Argentina

Evento online Metodista-UCEL aborda cenários políticos e econômicos dos dois países

15/09/2017 17h20 - última modificação 15/09/2017 21h12

Prof Sandro e reitor Paulo Borges abriram seminário Metodista-UCEL

Países latinos sofrem historicamente com déficits fiscais e em conta corrente porque têm a economia muito regulada e balanço geralmente desfavorável no comércio com outras nações, pois não toleram muito a competição externa. Como resultado, a pressão sobre as contas públicas é inevitável. A Argentina por exemplo, passou quase uma década e meia às voltas com a moratória da dívida externa, cuja reestruturação só foi concluída no ano passado, enquanto no Brasil a política nos anos 2000 de conter tarifas públicas e preços administrados resultou em descontrole inflacionário.

Esses foram dois dos cenários apresentados pelos professores e economistas Cristian Iunnisi e Sandro Maskio, respectivamente, da Universidad del Centro Educativo Latinoamericano (UCEL) e Universidade Metodista de São Paulo, na primeira rodada do "Seminário Aberto sobre Cenários de Negócios: Realidade Política e Econômica no Brasil e na Argentina". O evento foi transmitido em tempo real na noite de 14 de setembro e possibilitou debate ao vivo de alunos e professores das duas universidades.

A crise das hipotecas americanas que abalou o mundo em 2008 foi mesmo um marco negativo na história da maioria das nações. A Argentina experimentava uma das poucas trajetórias de superávit fiscal desde 2003 quando a crise mundial derrubou novamente sua economia. O PIB (Produto Interno Bruto), que em 1994 estava na faixa dos 7% de crescimento, cambaleou para 2,2% negativos em 2016, mostrou professor Cristian Iunnisi.

No Brasil, o governo enfrentou 2008 reforçando a política social-desenvolvimentista implantada em 2002. Desonerou tributos para algumas cadeias produtivas, ampliou o crédito para consumo por meio dos bancos públicos e deu continuidade à política de distribuição de renda pela valorização do salário mínimo, enquanto o mundo fazia ajustes diante do tombo financeiro-econômico. A opção brasileira resultou em grande endividamento das famílias e pressão de preços, sobretudo das tarifas públicas. A inflação bateu no teto da meta com 6,4% em janeiro de 2015, encerrando o ano em 10,67%, mostrou professor Sandro Maskio.

“Hoje vivemos a maior recessão econômica do último século, com queda de 7% do PIB em 2015 e 2016”, apontou.

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Transmissão via internet possibilitou debate em tempo real entre Metodista e UCEL
Crise de confiança

Mesmo com os esforços para alavancar a economia brasileira estimulando o consumo e, consequentemente, a produção, o Brasil não conseguiu aumentar a taxa bruta de capital fixo, que passou de 17,7% do PIB no período 2000-2004 para 20,6% no período 2010-2014. A meta da taxa de investimentos era de 25% do PIB.

Professor Sandro expôs que a crise política que se instalou após o impeachment da presidente Dilma Rousseff agravou a confiança do empresariado em investir e mover a economia. O desemprego saltou de 6 milhões em 2014 para 13 milhões de brasileiros atualmente.

“Mesmo com o abandono da política social-desenvolvimentista anterior, a atual gestão Michel Temer não consegue vencer o grande desafio da deterioração das contas públicas a partir de 2015”, disse ele, citando que a dívida pública saiu de 52,1% do PIB em dezembro de 2013 para 73,8% em julho deste ano.

O seminário Brasil-Argentina sobre cenários de negócios terá mais uma rodada de debates em 20 de setembro próximo, também às 19h30 no campus Rudge Ramos da Metodista e interação em tempo real com a UCEL. Os próximos debatedores são os professores Daniel Luna e Moisés Pais dos Santos.

A abertura do evento do evento foi feita pelo reitor da Metodista, Paulo Borges Campos Júnior, que elogiou a iniciativa das duas escolas. “O seminário mostra a relevância e a importância que Metodista e UCEL dão às novas tecnologias e modalidades de ensino”, falou professor Paulo sobre o uso da internet para estreitar aproximações na área da educação. O seminário foi promovido pela Assessoria de Relações Internacionais em parceria com o Curso de Ciências Econômicas e Educação a Distância Metodista (EAD).


Seminário Aberto sobre Cenários de Negócios: Realidade Política e Econômica no Brasil e na Argentina

Data: 20 de setembro de 2017
Horário: 19h30
Local: Auditório Capa do Campus Rudge Ramos (Rua Alfeu Tavares, 149, São Bernardo do Campo, SP).
Evento aberto à comunidade.

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