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Formação específica em Administração é preferida à de generalista

Pesquisa de professores da Metodista aponta que alunos e empresas consideram mais importante a especialização

07/01/2016 19h55 - última modificação 14/01/2016 19h20

A especificidade do administrador ainda é relevante. O administrador que fez curso com alguma habilitação é preferido ao administrador generalista, conclui pesquisa realizada pela Universidade Metodista de São Paulo entre alunos e empresas que contratam profissionais formados em Administração.

Embora as contratações sejam ligeiramente mais favoráveis ao administrador generalista, que consegue colocação em 30% das empresas pesquisadas devido à maior oferta no mercado, o administrador bacharelado já com alguma especialização pontua logo a seguir com 25% das admissões. Quando se delimita o perfil desse profissional para a vaga, o favoritismo das empresas é claramente pelo administrador especializado: 95% em média, contra 80% do generalista.

Um exemplo está na área financeira. Segundo o levantamento, o perfil preferido é o administrador com formação específica em Finanças (100% de escolha), seguido pelo administrador com formação generalista (80%), o matemático (30%), os formados em engenharia (25%) e pessoas sem nível superior mas com experiência (somente 10% de razoáveis possibilidades).

A pesquisa foi conduzida pelos professores Luciano Venelli Costa, do Programa de Pós-Graduação em Administração, e Douglas Murilo Siqueira, da Escola de Gestão e Direito, ambos da Universidade Metodista. A coleta ocorreu entre maio e junho de 2014.  O objetivo foi avaliar como se comportam as diretrizes baixadas 10 anos atrás pelo CNE-Conselho Nacional de Educação (Resolução 4 de 2005) que retiraram as habilitações do curso de Administração. Desde 2005 o único nome aceito nas escolas de graduação passou a ser "Bacharelado em Administração". 

Foram consultados 249 alunos de uma universidade privada no ABC paulista (137 do curso de Administração Geral e 112 de Administração com Linha de Formação Específica em Comércio Exterior), além de 20 empresas que contratam administradores na região. Dentre as empresas, 70% são indústrias e 30% do setor de serviços.

Maior curso presencial

No Brasil, a profissão de administrador foi regulamentada pela lei 4.769 de 9 de setembro de 1965. “A abertura dos tradicionais cursos de Administração com formações específicas, mesmo não constando no nome oficial dos cursos ou no diploma dos alunos, continua sendo praticada por algumas instituições sob o título de LFE (Linha de Formação Específica), inclusive com turmas separadas dos cursos de Administração Geral”, explicam os professores da Metodista.

Com penetração bastante ampla na área empresarial e de consultoria, o curso de Administração é o que mais arregimenta estudantes, segundo o Censo da Educação Superior no Brasil. Em 1998 representava 12,1% do alunado, contra 13,8% do curso de Direito. Em 2009, Administração já era o maior dentre os cursos presenciais, com 1,1 milhão de estudantes, representando 18,5% desse universo universitário. Direito continuava a ser o segundo, com 10,9%, ou mais de 650 mil alunos em 2009.

Segundo a pesquisa dos professores Luciano Venelli e Douglas Siqueira, o administrador com formação generalista é o mais contratado em 30% das empresas pesquisadas, o segundo mais contratado em outras 30% e o terceiro  em 25% das organizações. Já o administrador com formação específica é o mais contratado em 25% das empresas, o segundo mais contratado em outras 50% e o terceiro  em 20% das organizações pesquisadas. 

Formação específica     

Mas essa aparente equidade se desfaz quando são sugeridas às empresas vagas em setores administrativos e diversos perfis de candidatos. As respostas revelam que, para a área de Recursos Humanos, por exemplo, o perfil escolhido é o administrador com formação específica em RH (95% entre preferência e razoáveis possibilidades de contratação), seguido do administrador com formação generalista (85%) e do psicólogo (65%).

Para a área de Marketing, o perfil preferido é o administrador com formação específica em Marketing (95% de escolha), os formados em Comunicação Mercadológica (80%), o publicitário (75%) e o administrador generalista (70%).

Para uma vaga no setor de Importação e Exportação, o percentual de empresas que responderam administrador com formação específica em Comércio Exterior chegou a 80%. O administrador com formação generalista obteve 60%.

Para vaga no setor de produção da empresa, as preferências empatam em 80% entre engenheiro de produção e administrador com formação específica em Operações. Já o administrador com formação generalista tem 60% e tecnólogos em logística ou gestão da qualidade, 45%

A pesquisa revelou ainda que na área de Transportes, o perfil preferido é o tecnólogo em logística (45%), logo seguido pelo administrador com linha de formação específica em Operações (40%). Até mesmo para estágio a preferência é por administradores com linha de formação específica (70%), seguidos de administradores com perfil generalista (60%).

Negócio próprio     

Já entre os alunos, aqueles que fazem o curso generalista (137) têm preferência por formação mais ampla (80,3%) porque muitos intencionam abrir negócio próprio (43,1%), conclui a pesquisa da Metodista.

Entre os 112 alunos que escolheram o curso com especificidade em Comércio Exterior, a grande maioria (62,5%) tem intenção de trabalhar na área, o segundo motivo foi “gostar de viajar” (36,6%) e o terceiro a preferência por uma formação singular ao invés de geral (25%), demonstrando que o interesse pela especialidade é relevante entre candidatos a administradores. Tanto assim que, caso a faculdade não oferecesse o curso específico em Comércio Exterior, 56,3% dos alunos responderam que procurariam outra escola na área. Somente 17% se matriculariam em Administração Geral.

A oferta de outros cursos específicos em Administração também é vista como um ganho. Menos da metade dos alunos de Comércio Exterior (46,4%) ficaria nesta modalidade se houvessem outras graduações específicas, aponta o levantamento. A segunda mais procurada seria Operações (13,4%), a terceira Marketing (12,5%) e a quarta Recursos Humanos (10,7%). Somente dois alunos (1,8%) fariam Administração Geral. A procura por uma especialidade revela que o interesse destes alunos não é criar seus próprios negócios, segundo os autores do estudo.

A mesma pergunta feita aos alunos de Administração Geral revelou também o forte interesse em linhas específicas. Somente 16,1% dos alunos ficariam no curso generalista. As linhas mais procuradas seriam Recursos Humanos (24,1%) e Marketing (23,4%). Leia a íntegra do estudo em https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ReFAE/article/view/5110/4452

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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