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Executivas em grandes empresas, ex-alunas de Administração ensinam a reverter crises

Daniele Curcio e Alessandra Kanashiro falaram da trajetória de vida e de carreiras na comemoração do Dia do Administrador

14/09/2015 17h30

Prof. Patrícia media debate das ex-alunas com auditório

Crises são invariavelmente grandes pausas que atrasam países, economias e pessoas. Mas podem ser também a melhor época para empresas darem vida a projetos engavetados, a alternativas tecnológicas diferenciadas ou abrir-se a ideias criativas. Por isso, em vez de intimidar, as crises devem ser olhadas com lupa por funcionários preparados e capacitados. “É a melhor época. As empresas estão desesperadas atrás de fatos novos e dispostas a valorizar o funcionário que tem com algo a contribuir”, testemunha a gestora de Recursos Humanos da multinacional de autopeças Magneti Marelli e ex-aluna de Administração de Empresas da Universidade Metodista, Daniele Curcio.

Se a história servir como guia, esse foi o mesmo conselho dado pela também ex-aluna Alessandra Kanashiro, única mulher em um staff de sete diretores da Raven Ferramentas, uma das maiores fabricantes nacionais de equipamentos para manutenção automotiva. “Nas crises é preciso ser otimista, ter foco e jamais desistir”, afirmou, reforçando que o principal personagem na aceleração das carreiras profissionais somos nós mesmos.

Daniele e Alessandra foram as palestrantes do XV Encad (Encontro de Administração) em comemoração ao Dia do Administrador celebrado em 9 de setembro e lembrado na Metodista com reunião de todas as turmas na noite do dia 10 no Salão Nobre. O convite às duas ex-alunas se deveu ao passado e ao presente comum de ambas, que enfrentaram dificuldades financeiras e preconceitos e que hoje se projetam no mercado de trabalho.

“São dificuldades pelas quais todos passamos e queremos mostrar aos alunos atuais que é possível trabalhar as crises como oportunidades. Elas sabiam o que queriam, tiveram foco e saíram da média. Compartilhar essas experiências é encurtar caminhos”, destacou o coordenador do curso de Administração da Escola de Gestão e Direito da Metodista, professor Douglas Murilo Siqueira. O tema do encontro foi “Desafios profissionais dos egressos da Metodista”.

Ambição na medida 

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Daniele, hoje na Magneti Marelli

Formada em 2010, Daniele Curcio rememorou sua trajetória de “ambiciosa na medida” para explicar por que não se intimidou quando, para pagar o curso, decidiu vender doces durante o intervalo das aulas. Morava em São Bernardo, trabalhava em um callcenter na Capital e ganhava salário mínimo de R$ 380 em 2007, para uma mensalidade de R$ 550. “Tinha em mente que investir na minha educação era um diferencial”, justificou.

Foi chamada de sacoleira, enfrentou a desconfiança da segurança no campus, abriu mão de conversar e sair com amigas, e ainda incrementou os doces que revendia fazendo kits comemorativos de Dia das Mães, Namorados etc. Resultado: numa única noite chegou a entregar 450 unidades, arrematando de uma vez o dinheiro da mensalidade da faculdade.

Começou a dar rumo à carreira de administradora ao abraçar a oportunidade de um estágio oferecido na Metodista pela Magneti Marelli (ex-Cofap), uma gigante com 9 mil funcionários. Integrou projetos sociais desenvolvidos pela SIFE (Associação dos Estudantes em Livre Iniciativa), que ela define como grande impulsionadores na sua visão de vida. Foi efetivada na empresa e partiu para especializações em Cargos e Salários, Gestão de RH e MBA em Gestão de Pessoas, além de estudar um segundo idioma, “fundamental porque abre a carreira para vivências internacionais”, incentiva.

Mesmo estabilizada, Daniele foi em busca de “ser rara”, como ela define quem quer fazer o diferente. Procurou outras experiências e empregou-se na Serasa Experian, depois na Faurecia Autopeças. Um ano depois de sair, em 2013, a Magneti Marelli (do Grupo Fiat) a chamou de volta para implantar nada menos que os quadros da nova fábrica do Jeep em Goiânia – um desafio e tanto, já que o local não tem tradição de mão-de-obra automotiva e a fábrica foi instalada em um imenso canavial. “É o meu lema de buscar ser uma pessoa rara, diferente no que se faz: mais cedo ou mais tarde você vai ser lembrado”, sublinhou.

Driblando homens e chefe  

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Alessandra, hoje diretora da Raven

Considerada primeira mulher no Grande ABC a vender ferramentas automotivas, Alessandra Kanashiro fez da loja de bairro onde se iniciou profissionalmente o grande trampolim rumo à jornada bem-sucedida de executiva. Impelida pelas necessidades econômicas da família a abandonar o sonho de ser bailarina e começar a trabalhar com apenas 15 anos, Alessandra aproveitou o ambiente do varejo favorável a experimentações para se especializar. Fez três cursos de mecânica e dois de gestão eletrônica para explicar as ferramentas que revendia, assim como entender onde eram utilizadas. O ambiente predominantemente masculino, obviamente, era repleto de piadinhas para que, em lugar de mexer com ferramentaria, fosse “lavar roupa”.

A decisão de trocar a rota profissional de funcionária de loja à diretora de um negócio industrial não foi repentina. “Meu sonho era entrar na Raven, a melhor fabricante da área e com a qual eu mexia todos os dias. Em 2002 meu namorado – hoje marido – sugeriu fazer uma faculdade de Administração e me deu um monte de apostilas para estudar e prestar vestibular em três meses. O dono da loja fez de tudo para atrapalhar. Dizia que tinha muito trabalho, não poderia sair no horário para ir às aulas à noite”, contou Alessandra, que em 1999 aumentou a responsabilidade de arrimo de família ao ver o irmão se tornar paraplégico após um assalto.

Com empenho, passou no vestibular de Administração da Metodista e então enfrentou outro dilema: não tinha como bancar as mensalidades. Escreveu sua história em uma carta e entregou na Assistência Social da Metodista, “achando que ninguém jamais leria aquele papel”. Mas leram e Alessandra obteve bolsa de estudos de 70%.

Em setembro de 2002, baixou outra nuvem negra no horizonte: perdeu o emprego na loja. Mas foi uma adversidade curta. Ninguém menos que a Raven chamou Alessandra para trabalhar, embora por salário menor. Ela não se constrangeu. “Queria mostrar meu potencial. Fui mexer com treinamento, contratações, representações nacionais etc”, diz ela, formada em 2006 e pós-graduada também pela Metodista em 2009.

De dois funcionários há 13 anos, hoje Alessandra comanda 70 e atende a atacadistas de ferramentas em todo o Brasil entre autopeças, mecânicos e material de construção. O convite da Raven ela atribui a seu comportamento quando propagava a marca na loja de bairro. “Sempre há alguém observando suas atitudes e interesses. No último ano da faculdade uma colega ficou desempregada. Convidei-a para a Raven e hoje é meu braço direito”, citou.


Sob mediação da professora Patrícia Brecht, ao final das exposições Daniele e Alessandra responderam às perguntas do auditório. Uma das perguntas foi como evitar que o estagiário seja visto como intruso que quer “roubar” o emprego de alguém incumbido de passar conhecimentos sobre a função: “Observe, escute e aprenda. E tente fazer por si mesmo”, respondeu a executiva da Magneti Marelli.

 

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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